rodandopelomundo.com [Michel P. Zylberberg]
- Como é bom (!!!) viajar de avião!
Fala galera! Acabei de voltar das férias no Brasil e, consequentemente, viajei muito de avião!
Lugano – Zurique, Zurique – São Paulo, São Paulo – Fortaleza e o mesmo para voltar. É lindo ver o mundo lá de cima, ver pessoas como formigas e cruzar oceanos em apenas algumas horas. Mas, ainda sim, tenho que assumir que sempre tenho um azar desgraçado quando pego avião. Não por turbulências e coisas assim (ainda bem!), mas sempre acontece alguma coisa que não me deixa viajar em paz.
No voo de São Paulo para Zurique, agora no meu retorno, voei sozinho (minha esposa tinha voltado alguns dias antes). Peguei um lugar na janela, tranquilo, achando que fosse viajar com dois bancos só para mim… até que bem na hora do avião sair, um senhor destinto se senta ao meu lado e simplesmente passa quase todas as intermináveis 11:30 de voo exalando gases. Soltando pum! É, peidando! Muito pior do que tortura chinesa!

A lista de coisas assim é bem grande. A primeira vez que fiz uma viagem longa foi quando fui para os Estados Unidos em 2001. Eu fazia parte de uma excursão, uma galera do Brasil, e sentei numa fileira no meio do avião com mais três pessoas. Duas pessoas da excursão e um mexicano. Foi só partir o voo para esse mexicano começar no whisky! Um, dois, três e assim vai. Para quem não sabe, beber nas alturas não é muito aconselhável. E foi no que deu. Certa altura o cara vira pro lado e “lava” dois bancos, sorte que eu estava sentado na outra ponta! Bom, até onde foi “sorte” não sei, até porque – como não tinham mais lugares disponíveis – acabei dando meu lugar à uma garota da “lavada” e tive que voar muitas horas em pé. Muitas horas mesmo.
Como os bancos dos aviões hoje em dia estão cada vez mais “espaçosos”, coisas como joelhada nas costas são o de menos. Criança chutando o banco então, nem se fala. Mas como consigo sempre superar a média (negativa), uma vez um cara atrás de mim devia ter tomado uns remédios para dormir e estava com espasmos, aí não deu outra – passou o voo todo chutando embaixo do meu banco! Tentei acordar ele algumas vezes, mas nada. Tive que passar algumas boas horas sentado no banco dos comissários de bordo. O gente boa – que deve ter sonhado que jogava futebol – dormiu como uma princesa e só foi acordar quando o avião pousou.
Preste muita atenção ao reservar teu lugar, as saídas de emergência tem mais espaço para as pernas, mas geralmente são muito frias. Além de quase sempre serem perto dos banheiros, o que torna a chance de dormir quase zero. Muito barulho, fedor, luz forte, gente passando o tempo todo do lado, gente ficando em pé no lugar onde – teoricamente – você poderia esticar as pernas.
A outra dica da escolha do lugar vai depender de você. Se você tem que ir ao banheiro muitas vezes, fique no corredor. Se curtir altura, fique na janela. Se for alto, vai sofrer nas poltronas normais. O pior lugar – em absoluto – é na cadeira do meio do corredor. Na época que eu nem preocupava com essas coisas, acabei pegando um lugar desses, bem no meio de uma fileira de 5 lugares – sem conhecer ninguém. Bem no meio do voo, com a bexiga quase explodindo, todos dormiam. A solução foi me levantar e sair pisando nos apoios de braço até conseguir chegar no corredor. Me senti Tom Cruise em Missão Impossível.
Vi na TV ontem que um jogador famoso vai ter que ficar um mês sem jogar porque levou uma porrada no joelho daqueles carrinhos que carregam bebidas e comidas! Eu odeio – em ônibus também – sentar no corredor por causa disso. Eu já tenho dificuldade para dormir, aí nada pior do que pegar no sono e vir aquele inconveniente e de dar uma bolsada, pernada, ou seja lá o que for. Ou senão o que está na janela te dar aquela cutucadinha porque precisa ir ao banheiro pela vigésima vez. Então melhor na janela mesmo, brigando pelo apoio de braço que fica entre o banco do lado e o teu – outra coisa que o peidorreiro me fazia ficar puto.
A tecnologia faz tanta diferença nos voos também, se tiver um monitorzinho na cadeira da sua frente para assistir filmes ou jogar as horas passam literalmente voando. Como a tendência é sempre os voos low cost (baixo custo), se te derem uma torradinha é já muito – quanto mais monitores exclusivos.
Ler jornal é para um barzinho, com uma taça de café, não para ler no avião ao lado de alguém que você nunca viu. Ainda mais se for de noite, usando a luz de leitura e fazendo um barulhão. Dá vontade de mandar ir ler no banheiro, sentado no vaso – mas de não esquecer de dar descarga antes de se levantar. Aliás, se você nunca voou, não tente fazer isto.
Agora que sou burro-velho nessa área, já levo comigo meu kit. Aquelas almofadas em forma de U para o pescoço, tapador de olhos para bloquear a luz, fones de ouvido especiais que eliminam boa parte do barulho (ou um tapador de ouvido normal), um bom livro e – se for de graça – a cervejinha do avião :)
Também existem outras “cositas” como gente tossindo, bebê chorando, alguém do teu lado ouvindo música muito alta que parece nem estar usando fone de ouvido, alguém puxando papo quando você se pensa em dormir, pessoas com pânico, gente conversando em alta voz, malas extraviadas… e você, o que conta para gente? Participe!
Grande abraço e muita paz,
Michel P. Zylberberg
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- Comece pela sobremesa
“A vida é curta. Comece pela sobremesa.” – Joy Sommers
Aqui se fala de vida, de morte, de amizade, de viagens, aventuras, desafios… não tenho medo de ver a vida de um ponto de vista diverso de muita gente. Para mim tudo faz parte de uma incrível mistura mística.
Eu saí do Brasil em busca de uma nova vida na Austrália, aí lá achei minha alma gêmea e vim morar na parte italiana da Suíça com ela. Agora deixei meu emprego e decidimos enfrentar mais um grandíssimo desafio! Próxima parada: Zurique!
Ainda não falo alemão, é uma das línguas mais difíceis de aprender, mas não tenho medo. É muito, mas muito difícil encontrar um emprego na minha área (design gráfico/web) por lá sem falar alemão. Um tempero a mais na saborosa mistura da vida!
Se alguém tiver algum contato nessa área por lá agradeceria muito :) a vida é feita de contatos e quem sabe esse trabalho no RPM – que faço faz tempo com muito prazer – me dê uma luz. Vocês, amigos que fiz por aqui, ou novos visitantes! Clique para acessar meu portfolio online.
Mas a viagem mais importante, pelo menos agora, é outra! Dia 2 de agosto estou partindo para 3 semanas no Brasil! Curtir os meus 30 anos com a família e os amigos, nada mais justo, né?
Agradeço tantíssimo pelos comentários, responderei assim que puder!
Para quem não viu no começo do post, vale a pena repetir a frase:
“A vida é curta. Comece pela sobremesa.” – Joy Sommers
Abração e muita paz,
Michel P. Zylberberg
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- Viva!
Hoje completei 30 anos de vida, com direito a festa surpresa e tudo mais.
Aliás, festa nunca faltou na minha vida. Mas o problema de chegar aos 30 para mim não é crise, não são as muitas rugas, a barriga e nem o careca iminente.
O maior problema é perceber sempre mais que as pessoas morrem. Perdi recentemente dois amigos que estavam na faixa dos 30, um deles faria 30 poucos dias depois de falecer.
Já passei por muitas coisas, por muitos lugares e vi de tudo. Mas saber que um amigo que estudou comigo no colégio se suicidou por depressão me faz pensar ainda mais no valor da vida.Eu passei pelo “furacão” da depressão, estive no meio da tempestade, mas consegui sair. Mas vejo que – infelizmente – mais e mais pessoas estão entrando nesse labirinto que muitas vezes não tem saída.
Não quero julgar, não quero analisar. Mas é triste ter que criar uma resistência às perdas. Perdas sempre mais constantes. Talvez seja esse o problema dos jovens, não perceber que a vida é (muito) frágil. Sim, eu era um desses jovens.
As pessoas brincam que estou velho, mas só de pensar em tantas vezes que (inconscientemente) arrisquei a vida nos meus 20 anos, eu me sinto bem demais. Tenho uma família, tenho consciência, respeito os mais velhos e valorizo cada segundo de vida.
Saúde em um brinde, saúde… literalmente.
Quando vejo o perfil no facebook de um dos amigos que faleceu me sinto mal. Uma “presença” virtual, um amigo que nunca mais irá me ligar para dar risada. Um cara que nunca mais poderei abraçar ou tomar uma cerveja.
Morando longe do Brasil o medo é ainda maior. Pessoas queridas se vão. Velhas, adultas, jovens, crianças. A vida é um eterno – e delicado – jogo de vai e vem.
Mas é bom saber que o ditado é real e necessário: “o tempo cura todas as feridas”. Cuide das tuas feridas, antes que seja tarde demais.
Chego nos 30 sem feridas, sem rancores, sem arrependimentos. Errei – e muito. Fiz muita coisa das quais me arrepender. Mas na vida não existe tempo para remórcio, e sim tempo de viver. Viva!
Michel P. Zylberberg
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- E agora, José?
Quantas vezes você vestiu a camisa do Brasil depois que fomos eliminados da copa do mundo? E quantas vezes você vai vestir nos próximos 4 anos?
São perguntas assim que me fazem pensar… a pátria de chuteiras – que muitas vezes poderia ser a do salto-alto – agora precisa dar uma requebrada nas cadeiras, porque é nas mãos dessa nossa força que vamos jogar o destino do país.
Foi difícil imaginar uma copa na África, agora fica difícil imaginar no Brasil. Basta abrir os portais e jornais para ver que são muitos os problemas da resolver. E quem quer resolver? Se interessasse aos políticos, já teriam resolvido faz tempo!
A copa será como véspera de eleição, quando os políticos gastam com obras caríssimas e inúteis, só para ganhar os votos. E o nosso povo vota. Aliás, votar em quem?

Eu penso em voltar a morar no Brasil (estou fora do Brasil há 5 anos), mas… e a violência? E o sistema de ensino? A saúde pública? Saneamento básico? Desigualdade social? É uma guerra civil sutil, praticamente invisível, que se confunde com um seriado de ação na – toda poderosa – globo.
Batalhar para ter uma família e ver o filho indo para o tráfico. Trabalhar inúmeras horas por dia e não saber se chega vivo em casa, depois de horas de engarrafamento e um sistema de transporte caótico. Problemas, muitos problemas a serem resolvidos. Ou maqueados.
Brasil é o melhor país, com os piores políticos. A cultura do “jeitinho” é faca de dois gumes – que corta mais do que as das propagandas de TV americana.
Como lição de casa os políticos deveriam carregar na mochila uma lista do que fazer nos próximos 4 anos, e é uma senhora lista. O nosso turismo tem um potencial incrível e o freio de mão puxado. E também o pisca-alerta ligado. Temos que acordar.
Tenho certeza que muitas pessoas (não só políticos, claro) não dormem direito a noite já pensando nas mutretas, no dinheiro do mundo todo que estará rodando por aí.
Nosso Brasil tem tudo para fazer bonito, mas assim como a seleção, muitas vezes acaba decepcionando. Chega de gols contra, chega de caneleiros e cabeças de bagre. Queremos um jogo limpo, alegre, fair play! Não só dentro de campo, mas por todo o país.
Entre olimpíadas e copa do mundo, será a nossa chance de levantar a taça sem precisar gritar palavrões, de mostrar ao mundo que somos muito mais do que um eterno carnaval.
E agora, José? E agora, Dilma? E agora, ‘Brazil’?
Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.comP.S.: Foto original [Official-Mandela-will-attend-World-Cup.jpg - link]















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