Trabalhando pesado no exterior! (parte 1)



Muitos brasileiros querem sair do país com o sonho de trabalhar na área, mas infelizmente não é assim na grande maioria dos casos.

Uma vez tomada a decisão de partir, devemos estar preparados para qualquer tipo de situação!

Citarei um pouco da minha história na Austrália e penso que representa a de muitos brasileiros pelo mundo.

Cheguei com pouca grana, tudo muito caro. Demora muito para acostumar com os preços altos e isto já é um empurrão forte para a procura do emprego!

Até ajeitar os documentos para poder trabalhar e passar a euforia da vida nova já se vai boa parte do dinheiro e a cobrança aumenta.

Contatos aqui, pedidos ali, currículos falsos com anos de experiência lavando prato em “copacabana palaces” da vida. Batendo de porta em porta e levando ‘não’ para uma profissão nunca antes imaginada no Brasil.

Até que um amigo teu te liga e chama para cobrir a vaga de alguém que não foi trabalhar. Você trabalha duro, lava mais pratos do que nunca na vida e o cara te chama para fazer umas 15h por semana. Uns 10 dólares por hora, já dá para pagar o aluguel.

Tinha uma época que eu trabalhava apenas sábado a noite, com o restaurante lotado e todos meus amigos na farra.

Mas o senhor paquistanês que trabalhava comigo me dizia: “eles estão gastando. Você, a cada prato que lava, é um dólar a mais!” E dava risada. Eu também!

No meio tempo tem que se virar para tirar uma grana extra, mesmo que para isto tenha que faltar algumas aulas na escola. São os trabalhos pesados, pagamento mais alto para trabalhos de mais risco e esforço físico.

Trabalhei, entre outras coisas, limpando porão de navio cargueiro e ajudando no corte de árvores (foto). Trabalhos que, como a construção civil, podem chegar até a 200 dólares por dia. Esforço sempre válido!

Mas poucos conseguem trabalhar todos os dias. Além de comprometer os estudos e a presença nas aulas, importante para a renovação do visto.

Depois de uns dias, com mais contatos, você arruma mais algumas horas em um outro restaurante, já se preparando para subir na carreira, sonhando em virar garçom e ganhar também as gordas gorjetas!

Eu bem que tentei, mas as mulheres levam vantagem, pegando a grande maioria das vagas. Mesmo com um inglês pior. Compreensível! Mas muitos amigos conseguiram.

Quando o gerente do restaurante disse que não daria certo, foi uma decepção e uma grande lição de vida. Qualquer coisa que queira fazer na vida exige força de vontade, jamais despreze alguém que trabalhe. Todos têm valor!

Até que um dia, trabalhando a tarde em um sabadão de sol rachando, puto e pensando na festa de aniversário incrível que faziam em casa, disse que estava me sentindo mal e larguei eles sem kitchenhand (ajudante de cozinha). Até hoje gostaria de ver o gerente escroto lavando aquela tonelada de pratos!

Não voltei mais, nem para buscar o pagamento da semana (na Austrália geralmente pagam tudo por semana) e nem para trabalhar de novo. Era feliz, como podem ver na foto acima (sou aquele no alto), mas outra vez desempregado.

> leia a segunda e a terceira parte da série!

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.