A segurança que esquecemos de ter



Quando foi a última vez que você se sentiu completamente seguro? Sem medo de nada e ninguém? Qual foi a última vez que você viu crianças brincando completamente livres pelas ruas? Você já foi assaltado?

Passei a minha infância em uma cidade tranquila do interior de Minas Gerais, mas que agora não é tão tranquila assim. Eu podia fazer o que quisesse, tinha liberdade total para andar de bicicleta em dias de chuva… pular de casa em casa brincando de pique-esconde… e não lembro sequer uma vez em que meus pais foram me procurar preocupados comigo. Era seguro.

Casa suíça

Casa suíça

Ontem estava rodando aqui pela minha cidade (atualmente moro na Suíça) e percebi que é como a minha cidadezinha mineira de anos atrás. Nada de grades, nada de muros altos, nada de alarmes, guaritas, guardinhas e vigias noturnos. Nem mesmo as casas com a porta para a rua têm proteção. Apenas portas e janelas de vidro ou de madeira. É seguro.

Outra casa suíça

Outra casa suíça

Quando estive no Brasil pela última vez me senti como se caminhasse em meio a prisões. Todo mundo cumprindo pena em prisão domiciliar. Não só no Brasil, como em tantos outros países. Os bandidos rodam tranquilos pelas ruas enquanto nos escondemos atrás de cercas elétricas, câmeras de segurança e portões duplos. Insegurança.

Não quero criticar o nosso país. É uma crítica cultural, porque infelizmente nos acostumamos e aceitamos essa guerra civil que mata tanta gente inocente todos os dias. Quem tem dinheiro para ter um carro blindado compra. Senão coloca adesivo espelhado nos vidros. Uma paranóia coletiva que constrói uma sociedade solitária e egoísta. Revoltante.

Bar Carioca, também na suíça

Bar Carioca, também na suíça

Nesse passeio por aqui também passei pelo tranquilíssimo Bar Carioca, que fica perto de casa. Eu sou carioca, da gema. Mas sinto um medo meio que inconsciente todas as vezes que estou “na minha casa”, aos pés do Cristo. Lei do cão, lei dos homens, lei de Deus. Quem te protege? Quem você quer proteger? Tem alguém te seguindo? Medo.

Por que só os inocentes morrem? Quem são os senhores dessa guerra? Talvez um dia reencontraremos a paz e a segurança que esquecemos de ter. Enquanto isso proteja-se bem dentro da tua prisão e – se possível – faça tudo online. Apesar de que nem no mundo virtual estamos seguros. Merda.

Grande abraço e muita paz (mais do que nunca!)!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.
  • Com certeza, Michel, sabe que tenho uma teoria meio inusitada, mas o fato de os brasileiros estarem saindo tanto do país, a viagem e pra morar mesmo, acaba trazendo essa conscientização para os que vivem aqui. Acho que, pouco a pouco, o brasileiro médio está entendendo que somos menos do que pensamos, e que há como melhorar. Isso vai trazer resultados, mas a longo prazo. Afinal, ser a 7a economia do mundo não adianta muito com uma desigualdade social como a que temos, né… Abraço! E obrigado pela visita ao meu blog;-)

    • Ola Enderson! Realmente esse pessoal que esta saindo do Brasil e voltando com essa bagagem de que uma sociedade mais segura eh possivel pode mudar muita coisa! Espero que nao tando a longo prazo assim!!
      Nosso pais eh muito rico e tem toda capacidade de crescer muito!! Espero pelo bem!!
      Grande abraco, Michel

  • Grande Michel, cara que inveja. Moro em SP por causa do meu trabalho e odeio, simplesmente odeio ter que me preocupar tanto. Morei a vida inteira em cidades mais tranquilas – e que agora parecem não ser mais – e depois que coloquei o pé pra fora do Brasil e senti (principalmente na Ilha de Páscoa) como era diferente, não vejo a hora de ir embora. No meu blog, que vc pegou o link aí, falo muito de literatura, meu por enquanto segundo trabalho, mas muito de viagens (só conheço 60 cidades em 15 países, mas um dia te alcanço hehehe) e de outros temas. A violência do Brasil é insuportável, e tenho planos de sair o quanto antes, basta eu descobrir uma maneira de ganhar dinheiro fora e ficar legal em um outro país (creio que o Chile é o mais “fácil”). O curioso é que quando a gente volta do exterior e conta desta “outra maneira” de se viver, as pessoas acham que a gente tá mentindo, vendo com olhos de turista, e quem nunca saiu do Brasil realmente não tem ideia, fica até difícil imaginar uma segurança como a que se tem em países desenvolvidos, onde frequentemente nós somos as pessoas mais perigosas do pedaço :-P Bom, fico feliz que vc tenha conseguido se libertar daqui, é muito triste termos que deixar a nossa terra por um motivo tão baixo, mas é melhor pra nós e principalmente pros nossos filhos que moremos em um lugar onde as pessoas de bem somos a regra, e não a exceção… Grande abraço e parabéns pelo site!

    • Olá Enderson, tudo bem?
      Achei muito legal teu comentário, gostei muito! Infelizmente o post trata de um tema muito complexo e que mais desvaloriza o nosso lindo país! Mas quem sabe um dia a gente consegue reverter essa cultura/problema social!
      Existem muitos outros países perigosos, mas os países seguros estão aí para provar que um lugar tranquilo é viável de se construir!
      Abraços e paz!
      Michel

  • Um dos granfes motivos que eu deixei o Brasil foi por causa de segurança. Eu não aguentava mais as grades, andar na rua com medo, medo de sair da garagem, medo de chegar à noite em casa, medo de parar no sinal vermelho…
    Não fiquei abismado de saber, semana passada, que o Brasil é o 6º país mais violento do mundo.
    Estou na paz aqui em Orlando. Minha casa não tem grades nas janelas, as portas ficam destrancadas e até os carros ficam com janelas abertas em frente à garagem. Ninguém mexe no que é do outro. Outro dia entregaram aqui em casa 1000 dólares em peças de computadores que compramos. Como não tinha ninguém na casa o grande pacote ficou em frente da porta de entrada, ao lado do gramado o dia inteiro e parte da noite. Ninguém mexeu…pensei…no Brasil não tinha durado alguns minutos…tristeza…
    Abs Michel!

  • Aqui no Rio Grande do Sul, ao contrário do que muita gente pensa, tem a mesma violência do restante do país. Dizem que em algumas cidades do interior, a coisa ainda não ficou tão feia, mas mesmo em destinos turísticos “europeus” como Gramado em Canela, não convém descuidar um só segundo. O incrível que é só atravessar a fronteira e dar uma chegadinha no Uruguai que a coisas é COMPLETAMENTE diferente. Me senti tão seguro no Uruguai quanto em qualquer lugar da Europa (exceto no centrão nervoso de Montevideu, mas nada comparado às nossas cidades). Tem alguma coisa de errado com o nosso país, algo que a gente precisa mudar. Não tem cabimento a gente aceitar essa vida atrás das grades!
    “Que belíssimas cenas de destruição
    Não teremos mais problemas com a superpopulação
    Veja que uniforme lindo fizemos pra você
    Mas lembre sempre que Deus está do lado de quem vai vencer
    O Senhor da Guerra não gosta de crianças…”
    – A Canção do Senhor da Guerra – Legião Urbana

    • Grande Gleiber, valeu pelos comments irmão! Ainda mais citando o bom e velho RR com essa música irada!
      Infelizmente o Brasil criou essa cultura do medo, de cada um por si e não como DEVERIA ser, contando com a ajuda do governo (seg. pública) e recuperando o investimento de tantos impostos que pagamos!
      A violência no Brasil é uma máquina de fazer dinheiro e a segurança também se tornou!
      Mas aquela pequena sensação de que um dia melhora não passa nunca :D
      Abração e mta paz! Michel

  • Marcel

    Michel… olha, vou te dizer, apesar de vc ter nascido aqui no Rio, eu, após quase 7 anos morando aqui, tenho que defender “um modo de vida nessa cidade”! Muitos tem medo e deixam de fazer quase tudo por causa da violência. EU FAÇO DE TUDO AQUI no Rio.. mas isso depois de conhecer bem a cidade, seus perigos e horários. Essa semana, por um minuto, após 1h de engarrafamento mudando de rota várias vezes, escapei de estar dentro de uma troca de tiros… sorte, azar?? Estou vivo, e vou continuar vivendo tudo que puder!! Beijo pra vc! Saudade!

    • Eu até entendo esse ponto de vista. Acontece o mesmo aqui conosco, moradores de Porto Alegre. Mas, baseando-se por outros povos no mundo, a gente não devia se acostumar com isso, mas lutar CONTRA esse modo de vida. Abraços.

  • Olha eu sou de Salvador-Ba, e cada dia que passa a violência só cresce de maneira absurda! Não fico neurotica que nem a minha irmã (que mora aqui na Suiça agora, mas nunca se sentiu segura em Salvador) quando estou por lá, mas sempre fico mais apreensiva! Aqui ainda não relaxo totalmente, princpalmente quando volta a noite de lugares, ou quando alguém muito estranho senta do meu lado no trem, mas a seguraça aqui realmente não tem preço!

    Em qual cidade é esse bar carioca?

    bjs

  • viviane

    Sabe oq ue penso? como será a geração desse país, bom, do mundo, daqui a 5, 10, 15 anos? Se não houver conscientização JÁ, o bixo vai pegar…na minha rua, onde por exemplo, no meu tempo, 1994, 95, 96 crianças jogavam bola, corriam como loucas desemfreadas pelas ruas, já não existe mais, neste cenário atual, a rua é vazia, e nela, só contemplo os bons e velhos tempos, onde brincar na rua não era sinal de ” um perigo eminente”. Abração Michel, Ótima reflexão! e com relação ao blog, tó na escolha dos materiais e talz, mas não queria expor minha vida pessoal, ia ser um blog de saúde, dentro da minha área, com escapulidas para assuntos variáveis, sabe? claro, uma viagenzinha ali, outra acolá, pq afinal, viajar é bom ( para não dizer, MARAAAA), e faz muito bem a saúde de todos. Assim que eu o fizer te comunico e já abro as portas para vc ( grande amante dos bares e das geladas, incrível, que até em matéria de segurança, n falta um bar p/ dar o ar da graça)…e o já querido rodando pelo mundo. Fuiiii que hj é meu niver e quero é sofá e muito cine! xerus!

  • Essa tranquilidade que existe em lugares assim como onde você mora na minha opinião é a parte que da mais inveja.Já morei 1 ano e 4 meses fora do Brasil talbém, em Minnesota e no Colorado nos EUA e essa é a parte em que mais fiquei encantada e que mais desfrutei enquanto podia, de poder sair a noite a pé pelas cidades e pegar ônibus tranquilamente, de poder deixar a casa aberta,entre outras coisas pequenas mas que fazem toda a diferença.Ô Saudade!hehehehe

    • Oi Mariana!! Acho que mulheres sofrem ainda mais com a violencia, porque envolve tambem a violencia sexual!! Eu ainda preocupo quando minha esposa vai sair com amigas para jantar, mas ai lembro que a realidade aqui é outra e fico tranquilo. A violencia traumatiza!! Basta que eu nao fique tao inocente pq quando voltar pro Brasil me deixam sem nada!! huahuauhaa
      Pequenas coisas.. talvez seja por ai que podemos começar a mudar tudo!!
      Bjo e paz,
      Michel

  • Confesso que essa tranquilidade de caminhar pelas ruas sem medo de ser assaltado foi a grande diferença que senti quando estive na Europa recentemente.

    Infelizmente nosso país caminha para uma realidade de insegurança sem volta. Precisamos de pessoas sérias no governo mas, principalmente, precisamos mudar a forma de pensamento do nosso povo.

    Excelente post!

    • Valeu Diego pela força, fico feliz que tenha curtido!!
      O abismo social é realmente gritante e apesar dos europeus nao terem a alegria e o carnaval brasileiros, aqui atée que as coisas funcionam bem.
      Quanto a pessoas serias no governo, acho que meus netos dirao a mesma coisa e os netos desses que estao no planalto continuarao la..
      Abracao, Michel

  • Vou te dizer que me senti mto seguro em Fernando de Noronha. O esquema é como este q vc retratou. Sem grades nem muros altos. Saía pra mergulhar, deixava as coisas na praia, e voltava horas depois. Se fizesse isso no RJ, em 5 min na água ja tinha perdido tudo, rsrs.

    Ótimo ponto de vista da sua matéria.
    ;)

    • Valeu Mauricio!! Realmente Fernando de Noronha deve ser muuuuito tranquilo!! Acho que tudo parte do contraste entre classes, o que cria inveja e ganancia. Pobre querendo ser rico e rico querendo ser mais rico ainda. Sem contar as questoes de droga e educaçao.. mas esse é um blog de viagem, entao voltamos ao tema :D
      Abracao e boa semana aeee
      Michel