Manhê, quero morar fora!



Vontade de morar no exterior, mudar completamente de vida – seja para estudar ou trabalhar – todo mundo tem. Mas será que realmente você daria conta?

Tente responder rapidamente essas perguntas:

– Quantas vezes você arrumou a cama ou trocou a fronha?
– Você já lavou e passou roupa? Sabe como usar uma máquina de lavar?
– Você já fez as compras para a família toda no supermercado?
– Você sabe quanto custa uma compra da semana ou do mês? Um litro de leite?
– Você sabe cozinhar? Fritar um ovo?
– Quanta louça você já lavou na vida? Ou pelo menos passou uma água nos pratos antes de colocar na máquina de lavar?
– Já lavou chão, usou aspirador de pó? Lavou banheiro? Privada?

O que todas essas perguntas têm a ver com morar fora? A não ser que você queira levar a mamãe ou uma doméstica particular na bagagem, bom, você vai ter que fazer tudo isso! Ou pelo menos se revezar com quem dividir a casa/apartamento com você.

E se você respondeu “nem f****** que eu faço essas paradas”, coitado dos teus pais que vão ter que bancar uma casa de família para você. Bom, você muito provavelmente não deve saber como é difícil ganhar e juntar dinheiro.

Não sou o gostosão da bala chita para dar lição de moral. Eu era um cara que falava “nem f******” muito frequentemente antes de sair do Brasil. Nunca tinha arrumado cama, lavado pratos e nem sonhava em lavar banheiro. Eu era “inocentemente” inútil e folgado, como tantos da classe média/alta brasileira. Mas não demorei muito a descobrir que o mundo lá fora está longe de ser perfeito e que ninguém lavaria as minhas cuecas.

Fui literalmente expulso da primeira casa que morei na Austrália. “Folgado” foi o termo usado pelas caras ao pedir que eu arrumasse outro lugar. E não fiquei puto, afinal, eu era. E finalmente percebi que insistir no erro não era a escolha justa.

Na época da faculdade, antes de morar fora, passei por várias repúblicas no Brasil. Geralmente tínhamos faxineiras que vinham limpar a bagunça geral, mas quando não rolava, meu quarto era um lixo. É, hoje não me orgulho. Sem falar na casa, eu não fazia praticamente nada pra ajudar. Só cerveja que não faltava nunca.

Morar fora tem que significar antes de tudo amadurecer, aprender a ser independente, a se virar sozinho. Eu ralei muito, tomei muita “porrada” da vida, mas abri os olhos.

Aprendi que dividir as tarefas, com cada um fazendo a sua parte, é melhor pra todo mundo. Aprendi que ao ficar de favor na casa de alguém, o mínimo é dar uma mão com a limpeza e pagar as compras. Fazer sem ninguém pedir.

Meu primeiro emprego morando fora foi ajudante de cozinha. Logo eu que nunca tinha chegado perto de uma pia. Tudo por dinheiro? Grana é importante, mas a lição acaba sendo muito maior. Tanto que quando voltei ao Brasil ajudei a minha empregada a lavar uma pilha de pratos. Uns dias depois limpei sozinho toda bagunça de um churrasco com um monte de amigos, o dono do sítio deve achar até hoje que sou o cara mais responsável do mundo…

Lavar prato na Austrália por mínimo 10 dólares/hora é uma coisa, mas quase sempre eu pensava em quem lavava prato no Brasil por alguns míseros reais – e são as pessoas que a grande maioria menospreza.

Eu, apesar de preguiçoso, sempre respeitei e fiz amizade com gente de todos os níveis (odeio esta palavra) sociais. Ponto pra mim. Sempre respeitei culturas diversas – mais um ponto importante. Ponto a menos foi nunca ter me dedicado muito a estudar outras línguas (no caso, inglês).

Tem gente que nunca estudou no Brasil e acha que vai aprender por osmose ao chegar no destino. A queda pode ser MUITO maior. Prepare-se, pelo menos o mínimo necessário para a sobrevivência, porque além das dificuldades normais, vai ser muito chato depender dos outros pra tudo. Ou – como acontece muito – andar só com brasileiros e não aprender nada no fim das contas.

E aí, pronto para encarar o desafio? Ou a moleza da casa da mamãe é muito melhor? Acorda aí, cedo ou tarde chega a hora de desmamar!

Abraço e muita paz!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.