Minha cidade, meu destino: Aix-en-Provence (Natalia Itabayana | Destino Provence)



Quantas vezes você pensou em viajar dentro da própria cidade? Muitas vezes deixamos de aproveitar muitas coisas que estão debaixo dos nossos narizes, e foi por isto que convidei alguns amigos especiais para participarem da série “Minha cidade, meu destino”, onde cada um irá publicar 5 fotos e 5 dicas especiais. A nossa sétima convidada (a série está crescendo!) Natalia Itabayana, do blog Destino Provence, traz dicas de um destino bem charmoso – mas não tão conhecido – chamado Aix-en-Provence. Esta cidadezinha estudantil do sul da França reserva belas surpresas aos visitantes, então aproveite para conhecer algumas delas:

Quando Michel me convidou pra participar da série de “Minha cidade, meu destino” fiquei hiper feliz, dei pulinhos de felicidade e pensei que seria tarefa simples justamente pelo fato de Aix-en-Provence ser uma cidade pequena (a cidade conta pouco mais de 145 mil habitantes), mas me enganei totalmente. Apesar do pouco tempo passado aqui – em março próximo completaremos três anos morando na terra de Cézanne – já tenho meus lugares preferidos na cidade, e é inútil dizer que a listinha inclui mais de cinco itens! Mas o desafio é interessante, e deixo aqui minha seleção dos lugares que mais gosto na cidade.

Promenade de la Torse é uma grande área verde às margens do riozinho Torse onde passei o último verão fazendo pique-niques com minha cachorrinha – e ninguém me olhou torto por isso! – e que buscamos incluir nos nossos roteiros e bike, mas que acabei incluindo no roteiro de corrida também, e me surpreendi numa dessas ocasiões ao ver uma roda de capoeira animada por instrutores brasileiros durante o verão. Nas férias o local é muito frequentado por famílias que vão fazer pique-nique e atividades esportivas, mas também por esportistas e muitas pessoas que levam os cães pra passear. No inverno a grama verdejante perde um pouco da cor e pode eventualmente ser coberta por uma fina camada de neve, fato que alegra e muito as crianças da escola que fica ali perto que aproveitam pra brincar durante a recreação!

Montanha Sainte-Victoire é meu equivalente em Aix da torre Eiffel. Cada vez que saio de casa dou uma espiadinha nessa grande montanha de calcáreo que, à primeira vista (principalmente no inverno) nos faz acreditar que está coberta de neve justamente pela sua cor clara. A estradinha que nos leva até a Sainte-Victoire é a Route Cézanne, caminho percorrido inúmeras vezes pelo artista durante suas caminhadas até seus locais de trabalho – foi justamente numa dessas caminhadas que Cézanne, pego de surpresa por uma chuva, adoeceu e não resistiu dias depois. Caminhar pela montanha é uma boa pedida em dias sem nuvens, em alguns pontos temos uma vista maravilhosa da região, sem falar no perfume de pinho, alecrim e outras ervas da Provença que sentimos ao longo das trilhas, devidamente sinalizadas indicando percurso e tempo até determinados pontos de interesse. A Route Cézanne passa bem pertinho da Promenade de la Torse e foi durante uma das nossas primeiras pedaladas até a montanha que visitamos o local pela primeira vez.

Estátua Rhône e Durance – fachada do edifício des Halles na Place de l’Hôtel de Ville
Quando eu ainda estudava francês pra estrangeiros na universidade aqui uma professora fez um comentário que atiçou minha curiosidade. Numa conversa sobre a região ela nos pergunta se já havíamos atentado para a estátua que orna a fachada do edíficio onde hoje se encontra uma biblioteca, mas que antigamente recebia os comerciantes de trigo da região, Halle aux grains, que fica próximo ao Hôtel de Ville. Como nenhuma pessoa do grupo havia parado para apreciar a estátua em questão, ela nos descreveu : um homem e uma mulher, cobertos por produtos agrícolas cultivados na região, como trigo e uvas, e que representam, respectivamente, o rio Ródano e o rio Durance. Vale lembrar que, em francês existe uma diferença de gênero quando se trata de um rio que deságua no mar, o fleuve, no masculino, e um rio que deságua em outro rio ou num lago, a rivière, no feminino. Por isso a estátua representa um casal, e graças é justamente a eles que a agricultura pode ser desenvolvida nessa região árida que é a Provença.

Jardins do Pavillon Vendôme
Minha “descoberta” mais recente são os jardins desse belo edifício do século XVIII, nas proximidades das termas da cidade. Por ser justamente uma região que fica muito fora dos meus roteiros habituais, acabei deixando pra depois minha primeira visita ao lugar, que visitei pela primeira vez no verão desse ano, num dia que decidi sair em busca justamente dos lugares da cidade que ainda não tinha visitado. Gostei tanto do lugar que ele rapidinho ganhou lugar de destaque nos meus cantinhos prediletos da cidade por ser um lugar calmo onde podemos descansar, ler um livro ou fazer um lanche enquanto apreciamos o jardim no melhor estilo francês, sempre muito bem cuidado. Também é um lugar muito legal pra um passeio com as crianças, tem uma grande área de jogo com o piso emborrachado (todas as áreas de jogo que já visitei na cidade são assim, uma ideia interessante pra evitar escorregões mas também pra amenizar eventuais consequências de tombos). O jardim não é a única atração, o pavillon em si é aberto à visitação (entrada por 3,50€) e os visitantes podem conferir o estilo de uma residência de luxo da época, com seu mobiliário e decoração típicos, além de outras exposições temporárias.

Rua Verrerie
É nessa rua do centro, que fica logo atrás do Hôtel de Ville, que a noite acontece na cidade. São vários bares e restaurantes, além de pequenas boates (pequenas mesmo, no subsolo de prédios construídos há, pelo menos, 200 anos) onde os vários estudantes que habitam a cidade durante a maior parte do ano, além de turistas e os jovens da cidade vão em busca de diversão. No Saint-Patrick’s day, por exemplo, a rua fica intransitável, e todos os bares da cidade vendem a Guiness. Gosto muito do The Kerry, um pub em estilo irlandês que ganhou meu coração quando começou a vender a cerveja Duff, que o Homer Simpson bebe (eu e minhas referências). O ambiente é legal e os grandes barris de cerveja que fazem as vezes de mesa são meu sonho de decoração no meu apartamento (de novo, eu e minhas referências). Mas atenção : os bares da cidade fecham às 2 da manhã, e o recado é dado de uma só vez : as luzes são acessas 10 minutos antes do fechamento, e se ainda temos cerveja nos copos, eles trazem copos de plástico pra não sairmos no prejuízo. Depois desse horário é só esticar a farra nas boates (Scat na rua Verrerie ou Mistral na rua Frédéric Mistral).

Natalia Itabayana
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Confira aqui os outros posts da série “Minha cidade, meu destino”.

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.