Trekking no Monte San Salvatore | Lugano – Suíça



Sabe quando você acorda com uma preguiça do tamanho de um trem? Junte com um sábado de manhãzinha no inverno suíço, depois de uma noite de muito frio e neve… Imaginou? No quentinho de casa, preparando o café na maior tranquilidade. Tudo parece perfeito, até que o telefone toca. Caminho devagar para atender, já me perguntando quem poderia ser. Era ele, meu companheiro de aventura (com o qual havia ido ao Monte Bar algumas semanas antes) que não perdeu tempo – talvez com medo de eu pensar muito e a preguiça falar mais alto – e já partiu ao ataque: “Apesar da neve de ontem o tempo está bom, vamos pra montanha?”. Dei um gole no café quentinho, olhei o céu bonito e fiz de tudo para me convencer que seria a decisão certa. Mesmo sem entender para onde iríamos exatamente, confirmei e já comecei a arrumar a mochila. Não tinha mais volta.

Bom, já que não tinha volta, quase não tinha nem começo. Encaramos a neve em um Jeep 4×4 e subimos a estrada para o Monte Bar, mas chegando na base da montanha percebemos que o vento (direção norte-sul, o mais frio, que vem do norte da Europa) tinha chegado pra valer. O vento levantava a neve do chão e queimava a pele. Mas meu amigo já tinha o plano B escondido na manga, um pico onde poderíamos subir pois a montanha nos protegeria do vento. Os deuses da montanha provaram que ouvem as preces de quem cedo se aventura, porque se existia um lugar onde eu gostaria de ir desde que me mudei para Lugano (Suíça), esse lugar sem dúvida era o Monte San Salvatore.

É uma montanha relativamente baixa, são apenas 912 acima do nível do mar, mas eu tinha certeza que a sua localização central (entre os municípios de Paradiso e Melide) renderia um passeio bem legal e belas fotos panorâmicas!

Como já havíamos perdido muito tempo nessa mudança de planos, achamos melhor irmos de carro até um pouco mais perto da trilha. Estacionamos em Ciona e começamos a nossa caminhada por uma trilha não muito íngreme, mas escorregadia por causa do alto forro de folhas que caíram no outono e da neve do dia anterior. Mesmo a trilha sendo bem sinalizada, nos perdemos uma vez. Basta distrair um pouco para arriscar se perder, mas com as árvores sem folhas era fácil nos orientarmos. Em pouco tempo estávamos de novo na trilha.

Ao mesmo tempo em que a montanha nos protegia do vento, também escondia o sol. Mesmo aquecendo o corpo com a caminhada, o frio era intenso. É sempre fundamental ter acessórios como tênis impermeável, toca que isole o vento (e proteja também as orelhas), casaco com gola alta ou um cachecol esportivo e um bom par de luvas. Mesmo sendo um trekking relativamente curto, você precisa estar preparado para esperar o resgate em caso de uma torção no tornozelo ou qualquer outro acidente de percurso.

Se na subida não tivemos maiores problemas ou sustos, foi também graças aos bastões de caminhada. É, eu também achava que usaria só depois de aposentado, mas nos passeios que fiz por aqui eles me salvaram de algumas quedas. Fiquei meio relutante quando meu amigo me ofereceu na primeira vez que encaramos uma trilha, mas resolvi aceitar. Muitas vezes nessas trilhas existem lugares onde um escorregão ou tropeço pode ser fatal, então qualquer ajuda é muito bem-vinda. Os bastões agora viraram fiéis companheiros, mesmo porque tiram uma boa parte do peso dos joelhos e também permitem exercitar os braços e ombros durante o trekking.

O Monte San Salvador é uma meta clássica entre os turistas e os locais, mas não durante o inverno. Chegamos ao topo e me sentia em uma cidade fantasma, ainda mais pelo forte barulho do vento que parecia uma turbina incessante de avião. Passamos pelo restaurante, estação do bondinho (funicolare), algumas casas, museu, uma praça, e subimos as escadaria até o topo do monte, onde está a antena de TV e uma igreja. Tudo fechado, em todo passeio só cruzamos com um outro aventureiro.

Mesmo com o clima adverso não podíamos deixar de fotografar aquele que se confirmou um belíssimo panorama! Nos escondendo do vento atrás da igreja (a sensação térmica era de uns -10 graus) preparamos os equipamentos e começamos com os cliques. Infelizmente o tempo nublado e a neve deixavam a paisagem meio monocromática, mas ainda sim tiramos muitas fotos. Bom, muitas não, mas o suficiente antes que nossas mãos congelassem :)

A boa estrutura no topo da montanha permite uma vista incrível do lago/cidade de Lugano, boa parte das regiões do Sottoceneri e Mendrisio, da planície Padana e também dos Alpes. Durante a temporada turística (da metade de março até início novembro) os turistas se espremem no topo da igreja, conseguindo uma visão ainda mais completa do panorama.

Aos amantes de arte e cultura, existem muitos eventos, um museu e também mostras de arte. Já aos amantes de escalada, existe a opção da Via ferrata. Para quem quiser encarar outras trilhas, existem mapas e dicas em vários sites. Uma dica é a APP “Svizzera Mobile”. O preço para subir com o bondinho varia durante o ano, mas fica em torno de 40 reais subida / 50 subida e descida para adultos e 20/25 para crianças. Existe desconto para grupos, o preço fica em torno de 30/40 reais. Os preços suíços são “salgados”, mais um bom motivo para jogar a mochila nas costas e se aventurar!

Espero que vocês tenham curtido mais essa aventura! Continue a viagem no post do nosso trekking no Monte Bar. Para conhecer mais a Suíça não deixe de conferir também a nossa coletânea de posts.

Grande abraço e muita paz,

MIchel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.