Minha cidade, meu destino: Belo Horizonte (Rafael Camara | 360meridianos)



Quantas vezes você pensou em viajar dentro da própria cidade? Muitas vezes deixamos de aproveitar muitas coisas que estão debaixo dos nossos narizes, e foi por isto que convidei alguns amigos especiais para participarem da série “Minha cidade, meu destino”, onde cada um irá publicar 5 fotos e 5 dicas especiais. E chegamos ao décimo post da série com mais um convidado especial, o jornalista “butequeiro” Rafael Sette Camara, que faz um trabalho super interessante no blog de viagem 360meridianos!  Nos últimos dois anos ele passou por 17 países e quer muito mais – além de ter feito um intercâmbio de 6 meses na Índia. Recentemente ele trocou BH por Sampa, mas a capital mineira continua sendo a sua cidade de coração, que ele compartilha aqui com a gente:

A parte boa de dar dicas de turismo sobre a capital mineira é que não é preciso fugir do óbvio e nem ficar horas pensando: “Que cinco lugares legais estão fora do roteiro turístico tradicional?” Bem, BH já está fora do roteiro turístico tradicional. Os poucos visitantes estão quase sempre de passagem, numa escala rápida antes de visitar Ouro Preto, Mariana e outras cidades históricas. Ou seja, para quem não é belo-horizontino tudo é novidade. Os cinco lugares que eu vou indicar fazem parte da minha vida e, ao mesmo tempo, estão entre os principais pontos turísticos da capital mineira. O que significa que você vai ver pouquíssimos turistas por lá. E isso é uma pena, afinal BH tem muito a oferecer.

Lagoa da Pampulha
Não fosse minha tendência para o sedentarismo, você me encontraria caminhando na orla da Lagoa todos os dias, sempre que eu estiver em BH. Mas, já que a preguiça impede, pelo menos eu garanto que estou lá sempre que tenho força de vontade para correr atrás de uma vida saudável. A Pampulha é uma lagoa artificial – foi construída na década de 1940, quando Juscelino Kubitschek era prefeito de Belo Horizonte. Pode ser considerada um ensaio geral para Brasília, por mais absurdo que isso pareça. É que, além de marcar o começo da tendência de JK para grandes projetos, a Pampulha é o marco inicial da carreira do arquiteto Oscar Niemeyer. São 18 quilômetros de orla, nos quais ficam, entre outras coisas, a famosa igrejinha da Pampulha, o Jardim Zoológico e os estádios do Mineirão e do Mineirinho. Infelizmente a Lagoa, que foi construída para ser o mar dos mineiros, está poluída. Durante o verão o fedor atrapalha até quem vai fazer caminhada por lá. A promessa é que a Lagoa vai estar limpa antes da Copa do Mundo. Resta esperar…

Mercado Central
Cilada. Por experiência eu aprendi que um mercado central, na maior parte do mundo, é sempre um passeio para pegar turista bobo. Não em BH. O Mercado Central é realmente interessante, além de ser frequentado pela população mineira há décadas. Construído em 1929, era um centro de distribuição de alimentos a céu aberto – nada mais do que um conjunto de barraquinhas. Mais tarde o galpão do Mercado Central foi construído, e ele ganhou importância na vida do belo-horizontino. Eu vou lá desde criancinha, e até hoje me divirto (e me perco) naqueles corredores apertados que parecem conter infinitas lojas. Todo belo-horizontino que se preze já almoçou, bebeu uma cervejinha, e comprou produtos da roça lá. Por que você deixaria de fazer a mesma coisa?

Praça da Liberdade
A Praça da Liberdade é linda. Construída para ser sede do governo na nova capital, abriga o Palácio da Liberdade, onde trabalhava o Governador, e várias secretarias de governo. Além disso, a praça é ponto de encontro da população desde que Beagá foi fundada, no final do século XIX. Belo-horizontinos de várias gerações se acostumaram a ir lá para caminhar, conversar e namorar, entre outras coisas. As décadas acrescentaram estilo à Praça da Liberdade – a partir dos anos 50 vieram a Biblioteca Pública e o Edifício Niemeyer, ambos projetados pelo ainda jovem arquiteto. Recentemente os prédios das secretarias e até o Palácio da Liberdade começaram a ser transformados em museus e foi criado o Circuito Cultural Praça da Liberdade. Já a sede do poder público foi transferida para o novo Centro Administrativo, projetado sabe por quem? Ele mesmo, Oscar Niemeyer.

Mirante do Mangabeiras
Se o nome da cidade é Belo Horizonte, uma coisa que você não poderia deixar de fazer é verificar a vista da cidade. E a melhor vista de BH está no mirante do bairro Mangabeiras. O lugar esteve fechado durante meses para obras de revitalização, e só recentemente foi aberto ao público novamente. Revitalizado, o mirante agora também tem novas regras: se antes ele funcionava 24 horas por dia, agora o lugar funciona de 10 da manhã até 10 da noite. Não é a vista mais bonita do mundo, claro, mas é um passeio legal. De lá, aproveite para dar um pulo no Parque das Mangabeiras, outro ponto interessante que fica na mesma região, e na Praça do Papa, que tem esse nome desde que o João Paulo II esteve lá.

Butecos
São muitos. Tanto é que o The New York Times chamou Belo Horizonte de capital mundial dos bares, afirmando que 12 mil estabelecimentos estão espalhados pelas ruas da cidade. A verdade é quem em BH você encontra um buteco em cada esquina, e certamente vai achar um para chamar de seu. E detalhe para o fato de ser buteco com “u” mesmo, para reforçar que não é um restaurante com cara de bar. O legal, pelo menos em minha opinião, é cadeira de plástico, copo americano (ou copo lagoinha) e cerveja gelada – eis o lar do butequeiro. O lugar pouco importa – há quem goste dos butecos e bares da região da Savassi. Outros preferem o Santa Tereza, um bairro boêmio da cidade. Eu sou fã mesmo é dos butecos da Avenida Fleming. Afinal, buteco bom é perto de casa, para você não voltar dirigindo de jeito nenhum. Mas atenção: se for visitar BH durante um feriado você pode achar muitos bares fechados. É que os mineiros correm para as praias mais próximas, e a cidade fica vazia. Num caso assim, o melhor mesmo é procurar os bares de bairros, já que muitos da região da Savassi costumam não abrir.

Rafael Sette Camara
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Confira todos os posts da série “Minha cidade, meu destino”.

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.
  • A vista de BH que podemos conferir no mirante do bairro Mangabeiras é realmente incrível!
    http://www.brasiladentro.com.br/br/hoteis-pousadas/minas_gerais

  • Livia Teles

    Nossa, ai q saudade q meu deu de BH, fui só para passear, mas fiquei apaixonada pelo lugar. O mercado rsrs dá para se perder mesmo kkkk

  • Augusto

    Sou de BH.
    A respeito das dicas, esqueceu de falar que a lagoa se tornou, há muito tempo, um esgoto. Eh vergonhoso aquilo lá.

    A respeito doa botecos, a prefeitura esta perseguindo implacavelmente aqueles com mesas na calcada, ou seja, a maior característica doa botecos de BH esta indo pro espaço. Estamos cheio de botecos iguais aos da vila Madalena, caros e pasteurizados.

    Um dia de turismo eh suficiente para conhecer BH. Gastem o resto dos dias nas cidades históricas.

  • Kamyla Vasconcellos

    Sou de Itajubá e estudante em Diamantina, adorei o post sobre a capital mineira, sempre que posso dou um pulo a BH que até então antes não conhecia…e o que mais achei interessante é que eu já fui em todos os lugares citados acima.Belo Horizonte hoje pra mim é a capital que mais ofereçe programas culturais bacanas e pra todos os gostos!Que escutar um bom blues?Lá tem…samba de raiz?tem também…fora o duelo de mc’s no Santa Tereza!Cinema de arte bom e de graça!E fora o carnaval que só tem crescido!!!

    • Oi Kamyla, tudo bem? Eu morei quase a vida toda em Itajubá, talvez a gente tenha até se conhecido por lá :) Já passei carnaval em Diamantina e é uma delícia!
      Muito legais as tuas dicas de programas culturais e alternativos, se conseguir voltar à BH sem dúvida vou curtir essas dicas aí! Fica a dica pros leitores!
      Abraço e paz, Michel

  • Acho BH uma cidade interessante… Como foi dito, não é uma cidade onde as pessoas vêm fazer turismo. O Rafael só esqueceu de citar que é ponte pra quem quer visitar Inhotim (que, aliás, eu nunca fui)! Sou dessas que visita pouco a própria cidade… BH conta também com muitos museus e só recentemente, a cerca de duas ou três semanas visitei o Museu Abílio Barreto, um casarão que foi um dos primeiros de BH. Em relação ao pontos turísticos citados pelo Rafael, assino embaixo, mas é fato que pouca gente gasta mais de um dia visitando-os. Outro programa legal é a Feira de Artesanato que acontece nas manhãs de domingo na Avenida Afonso Pena. Lá sim é preciso ficar atento pra não pagar mais caro por ser turista. Mas é legal, tem roupas, acessórios, brinquedos, artigos para casa, e, de quebra, ainda rola um espaço com barraquinhas de alimentação!
    Cada dia mais tenho me conscientizado de que preciso ser mais turista em BH que apesar da pouca fama também tem coisa legal pra oferecer!

    • Oi Paula, tudo bem? Você pegou certinho o conceito da série, incentivar as pessoas a viajarem e conhecerem a própria cidade!

      Muitas vezes deixamos passar o tempo e só damos valor ao mudarmos de cidade, então fico feliz de despertar esse sentimento nos leitores!

      Obrigado pelas outras dicas e espero que aproveite bastante essa região que curto tanto!

      Abraço e paz, Michel

  • Muito boa as dicas, Belo Horizonte realmente é encantadora!! Gostaria de acrescentar o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, está situado em 180.000 m², de área cercada com guaritas em todas as entradas. É o principal parque de BH, localizado bem no centro da cidade ao lado da Avenida Agonso Pena…mais uma vez parabéns!!

    • Fala Gustavo, beleza? Valeu pelo comentário, legal que curtiu as dicas do Rafael! Fica registrada então a tua dica do Parque Municipal, uma área verde em grandes cidades é sempre um ótimo destino! Grande abraço!

  • Olá amigo, que bacana essa série que vc criou aki, e muito legal as dicas de BH do Rafael, tenho família por lá e adoro, Abraços!

    • Oi Kellen, que bom que gostou da série e das dicas, trem bão dimais da conta! :D
      A série está crescendo e fico feliz de ver essa turma tão legal participando e compartilhando dicas de quem conhece do assunto!
      Abraço e paz, Michel

  • Belo relato! Essa sensibilidade de quem veio de lá e sabe o que mostrar. Para nós visitantes é um presente conhecer verdadeiramente uma cidade sob o olhar dos nativos. Um desses escrevo eu mesma um relato no meu blog sobre a minha terra, Brasília. A gente tem uma certa urgência em nos mostrarmos mais humanos e não tanto concreto, e não tanta modernidade :)

    BH é uma simpatia de cidade. Até a próxima!!

  • Fala Michel, bom? Cara primeiramente achei muito bacana o seu blog e sua história. Sucesso demais. Curti bastante a idéia, minha cidade meu destino, e o tópico de BH, minha cidade. Sou iniciante em blogs de viagem e quero fazer muitos posts sobre Minas Gerais, além de outras viagens claro. Vale a pena também falarmos de onde moramos. Abraço!

  • Assino embaixo das dicas do Rafael sobre a minha querida BH! :)

    • Terrinha boa viu Lillian! Estive duas vezes em BH e curti muito, por isso fiz questão de compartilhar as dicas do Rafael aqui!
      Valeu pela visita e pelo comentário, estou sempre seguindo o belo trabalho de vocês!
      Bjo e paz! Michel

  • Muito bom, amo BH de paixão e as dicas do Rafael foram ótimas! Parabéns aos dois :)

    • Faaaaala Rafael, beleza?

      Valeu pelo comentário e pela visita, deixo todos os méritos ao Rafael que colaborou com essas belas dicas!

      Espero um dia poder voltar a BH e tomar uma gelada com a turma de viajantes em alguns dos butecos!

      Abraço e paz, Michel