Paraty para todos, para além do que se vê!



Quando coloquei os pés em Paraty-RJ para FLIP eu tinha os olhos encantados. Apesar da consciência de que tudo nessa época na cidade era caro, eu achava que veria a cidade pipocando de artistas e que haveria aquela culminância entre os intelectuais brasileiros e o povo da cidade. Ingenuidade era meu nome.

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O que vi no primeiro dia foi uma Feira Literária elitista que usava (ao longo do dia) seguranças para tirar os artistas das ruas, repleta de livros caros e um show do Gilberto Gil com a acústica projetada toda para dentro de uma tenda pequena de pessoas VIP. Você até podia ver o Gilberto Gil, mas ouvir… era como assistir a um DVD pirata. Decepção era meu sobrenome.

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Mas como boa pirata eu acreditava que se explorasse veria mares não antes navegados. Talvez ser viajante seja essa coisa de acreditar que as coisas vão se mostrar em algum momento da jornada e que se tivermos paciência e formos abertos teremos o privilégio de testemunhar essas tais coisas que estão além do que se vê.

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Então saí pra fazer o que sempre faço: andar. Andar pelas ruas daquelas pedras tortas do Centro Histórico me trouxe excelentes surpresas.  Esbarrei com uma amiga sem querer e com ela vi duas peças gratuitas no Centro Cultural Sesc Paraty e encontrei poesia em diversos formatos. Minha vida estava ficando mais interessante.

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Como forma de protesto, decidi abdicar de todo aquele evento literário da banda rica do Rio de Janeiro que, apesar de trazer verba para cidade, explora seus moradores e fui fazer o que mais gosto de fazer. Caminhar e conversar. As duas coisas inerentes ao ser humano, gratuitas, e que me ajudaram a encontrar uma Paraty tão mais encantadora do que o que se discutia nas mesas intelectuais.

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Quer ir à Paraty e ter momentos de leveza e sorrisos sem gastar muito? Aí vai meu TOP 10 do que fazer e encontrar pra voltar achando que a vida é boa de se viver:

1. Comer pastel de três queijos. Seja o famoso pastel de 30 cm da barraca perto da ponte, na rua que margeia a Praça da Matriz, sejam os pastéis caseiros dos outros trailers espalhados pela cidade, como o do trailer perto da Praça do Chafariz. Pastel em Paraty tem gosto de afeto.

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2. Ouvir os diversos artistas que saem de suas tocas e nos deliciam noite a fora. Eles são a verdadeira atmosfera da cidade. Estão lá com seus chapéus e talentos. Pra mim, é a força motriz que pulsa Paraty. Palmas especiais pro duo “doismusica”.

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3. O cais do porto. Você pode ir lá pra meditar no gramado da praça ou simplesmente passar o fim da tarde a olhar o mar.

4. Comer uma esfiha na Esfiharia e Cervejaria Camello, que fica na Rua João Luiz do Rosário 10 (a 5 minutos de caminhada do Centro Histórico). A esfiha é grande, barata, apetitosa e o local é super aconchegante.

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5. Paratynar pelo artesanato de rua e das lojas. Sou a favor da arte dos índios e de um atelier chamado Ciranda de Cores, que fica na rua do Margarida Café. O cartão de visitas é uma flor feita de papel com a frase “Ler a beleza das flores”. Além de que é impossível não se apaixonar pelos balões espalhados pela cidade.

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6. Brincar com os cachorros. Eles sim são os verdadeiros donos das ruas. E depois passar na Bodega do Poeta para um café da tarde. E esticar pra ouvir música ao vivo.

7. Conversar com os artistas dos diversos ateliers. Minha conversa preferida foi com o moço do Atelier Aecio Sarti que está envolvido com um projeto de criar uma lona gigantesca sobre um caminhão que rodará o país trocando vasos antigos por vasos novos. Ao fim da viagem, a lona será colocada no teto de uma exposição, do jeito que se encontra. Surrada ou não.

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8. Comer um churros da moto-barraca. Pra saber onde o churros se encontra ou você esbarra com ela ou liga para o dono e ele te informa a localização. Um viva para a economia criativa, né?

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9. Conversar com o moço que faz arte em moedas antigas do Atelier Aracati. Além de ser super simpático, vale a pena observá-lo trabalhando. Os signos e os símbolos são fascinantes.

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10. Fotografar. Paraty tem cantos, luz e ângulos perfeitos para eternizar momentos.  Nada de photoshop, hein. Luz natural e voilà, Paraty te seduziu.

Sobre Hanny Saraiva:
Contista. Blogueira.
Professora universitária.
Colecionadora de canetas.
Viajante na empresa Mundo, vasto mundo.
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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.