Parceiros de viagem: Dondeando por aí… a fuga do lugar comum!



Nesse mundo sempre mais saturado dos blogs de viagem, tenho a honra de contar com a amizade de muitos dos(as) melhores blogueiros(as) da internet brasuca. Nesses anos de estrada acabamos virando uma grande família que se ajuda e cresce junta, compartilhando sonhos, desafios e conquistas. E é nessa vibe positiva que decidi criar a série Parceiros de viagem, onde blogueiros(as) convidados(as) – autores dos meus blogs de viagem preferidos – vão contar um pouco como tudo rolou, desde a criação do blog até os projetos atuais.

Nossa segunda convidada é, sem dúvida, um destaque no mundo dos blogs de viagem – algo que se tornou o seu trabalho a tempo integral. Apesar de jovem, ela já leva na bagagem boas histórias pra contar e muitos países visitados, não é a toa que ela até já escreveu um livro e colabora com revistas especializadas em viagens. Dondeando por aí… um sobrenome que virou verbo de viagem e muitas coincidências que levaram a descobrir um verdadeiro – e corajoso – estilo de vida. Assim como foi um grande pra mim a minha amiga Clarissa Donda ter aceito o convite, espero que seja também pra vocês conhecer essa super aventura:

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Sou apaixonada por caminhos. Sabe aquelas fotos de estradas infinitas, com toda aquela vibe de liberdade e de se perder no mundo? Então: acho que o primeiro desses caminhos que eu me apaixonei conheci quando tinha 10 anos: era uma estrada linda, ladeada de árvores e com um tapete de folhas a se perder de vista. “Foi numa viagem?”, você pensou? Não, foi num dentista; era o quadro enorme que ilustrava a sala de espera. E eu só lembro das tardes arrastadas esperando, em que tudo o que eu queria era escapulir dali  e viajar nas mil possibilidades que aquela estrada do quadro poderia me levar (e que certamente seria para longe do zunido de brocas, ferrinhos ortodônticos ou cheiro de flúor).

Pois é, sempre gostei de caminhos. Desde sempre.

***

Mas a vida tem essa coisa do certo por caminhos tortos, e foi por causa de um deles que eu ia começar o meu blog. Na verdade, nem era um caminho – foi num cruzamento. Mais especificamente, por um acidente de carro.

Em 2009 eu sofri um acidente de carro bem feio, que me quebrou o ombro – e se por um lado foi bom que tenha acontecido só isso (porque o acidente foi feio para dedéu), por outro me obrigou a passar por um longo e chatíssimo período de recuperação.

4 meses e meio. Na cama. Deitada. De molho.

Crédito da foto: Mark Kowal

Crédito da foto: Mark Kowal

É, um saco, né?

Mas foi assim que nasceu o Dondeando por aí, meu blog de viagens: de repente. Fui num dia que eu já estava cansada de assistir televisão, seriado, Sessão da Tarde, temporada de House e Falha Nossa do Video Show. Já não aguentava mais ler livro. Nem olhar para a parede. Nem ficar com pena e tédio de mim mesma.

Eu precisava de um passatempo novo. Um caminho novo. Ou melhor, uma salvação.

– Ah, Clarissa, porque você não cria um blog?

Então.

***

Costumo dizer que o Dondeando por Aí… nasceu como uma boa caminhada para os neurônios, em que o único objetivo é colocar uma palavra depois da outra só para ver até onde ela vai dar. E se o tema escolhido foi viagem na época, foi igualmente por acaso – eu precisava de um assunto que me divertisse no momento em que eu tava, e viagem não é sempre o melhor caminho (ó ele aí, de novo!) para a gente sair de férias da realidade?

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Claro, o tempo passou e a clavícula – digo, a Clarissa – voltou ao normal, 100%. E voltou para o trabalho. E no escritório onde eu batia ponto todo dia, eu descobria que, no fundo, no fundo, não era para lá que eu queria ir.

Pausa aqui. Vamos passar a fita mais rápido.

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De lá para cá se passaram 4 anos e meio, e muita coisa rolou. O blog cresceu (e eu com ele, mas não sei quem puxou quem, na verdade) e eu resolvi que queria fazer isso para valer, de verdade. Do tipo que esgoela o coração nas teclas.

donda_tucano-encarandoParece bacana, né? Mas imagina a cara dos meus pais quando eu contei isso.

A verdade é que agora em 2014 fazem 2 anos em que eu estou “freelancer”, trabalhando de casa (e do mundo) em alguns projetos (sim, o blog não paga todas as contas). Foi um novo mudar de carreira e de caminhos. Vi de perto as celebrações do Dia dos Mortos no México, conheci uma Lapônia fria e ensolarada, cheia de renas e do sol da meia-noite, vi um Brasil lindo nas encostas da Transpantaneira e nas dunas do Nordeste e até parei na terra da Rainha e dos faraós.

E nesse caminho teve muita coisa boa, na mesma medida em que teve momentos difíceis (e vejo como é estranho dizer isso quando se é um blogueiro de viagens. Por que minha família acha que eu virei hippie, minhas primas adolescentes de 16 anos acham que eu virei um exemplo de vida a ser seguido e meus amigos têm certeza de que eu não trabalho). :P

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Eu juro de pés juntos que todos ali estão enganados: ao contrário do que muita gente acha que é a vida de blogueiro, eu nunca trabalhei tanto na frente de um computador em toda a minha vida – e procuro colocar com gosto e profissionalismo tudo aquilo que eu vejo mundo afora, seja lá do outro lado do planeta, seja na esquina aqui de casa.

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O resultado disso? Escreve, escreve, edita, corrige, lê de novo, apaga porque ficou uma droga, reescreve, respira, vai tomar um café, escreve de novo, pesquisa, relê dá uma última olhada e publica de uma vez – ou não. Tudo isso aí, não necessariamente nesta ordem.

O engraçado que hoje eu vivo escutando um “Ah, mas hoje você tem o emprego dos sonhos! Viaja e escreve para isso!”. Sim, é verdade, sou muito mais feliz e realizada consigo mesmo do que antes, atrás de uma mesa de escritório e em meio a planilhas e powerpoints – mas há que se entender que ambos são formas de trabalho e, como tal, tem lá suas dores e delícias particulares. Resta saber quais delas você prefere administrar.

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E eu confesso: fiquei muito mais corajosa para assumir as dores e delícias das coisas que eu queria fazer da minha vida depois do tal acidente de carro. Sabe aquela blablá todo de repensar sua vida, que ela é curta e tal e a gente tem que ser feliz? Pois é, sempre batem esses clichês quando acontecem essas sacudidelas da vida – e o pior deles é que, invariavelmente, eles estão certos.

Hoje, tenho um orgulho danado do blog que eu construí – e ao mesmo tempo, me cobro horrores com o fato de que ele poderia estar melhor, ser melhor, explicar melhor. E a cada comentário que pinga lá de alguém que leu, gostou, curtiu os causos e aproveitou minhas dicas é assim, ó, uma explosão de felicidade pra mim. Acho que virei blogueira por acaso, mas só continuei blogueira por insistência: foi a cada comentário simples que me dava o gás que eu precisava para voltar para minha cadeira e escrever de novo.

E foi nessas e outras que o blog rendeu livro (Papo de viagem & Outras histórias de Bar, à venda no site!), rendeu matéria de revista, rendeu aula em pós-graduação – e voltou a render post de novo! E nisso, eu vou me testando e testando os formatos do blog, até ver o que vai bater o coração. Por isso, acho que o Dondeando por Aí virou o que virou: uma coisa viva, fluida, mutante: enfim, gerúndio puro.

Lembra da tal caminhada para os neurônios que eu precisava, há quatro anos atrás? Pois é, estou ainda a ver onde ela vai dar.

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***

Por isso que eu não sei o que fazer quando o Michel me pede para terminar esse texto com a pergunta mais difícil do mundo: “quais seus planos com o blog para o futuro?”.

Pô, Michel.

Não sei dizer, ainda. Tenho planos mirabolantes de conquistar o mundo, e nenhuma idéia prática de como fazer isso – todas as boas idéias chegaram sem querer, no tempo certo e sem eu pedir. E se o blog não chegou aonde eu queria, ele me trouxe a lugares que eu nunca imaginei estar.

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Então acho que o que eu quero é continuar a viagem com o Dondeando por aí… Fazê-lo crescer e crescer junto, mas também deixar espaço para as surpresas que podem chegar no caminho.

E enquanto isso, vou escrevendo e viajando por aí, enquanto espero. Acho que, no fundo, as tardes na sala de espera do dentista me ensinaram mais do que eu podia imaginar! :D

Quer Dondear com a Clavícula? Ops… Clarissa? Então fiquei ligado:
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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.
  • A Clarissa é uma grande inspiração! Assim como você Michel =) obrigada aos dois por serem tão queridos e generosos porque esse tipo de trabalho só floresce com generosidade.
    Muito e muito mais sucesso e caminhos pela frente!

  • gustavo

    perdão pela demora, vi so agora.

    viajo muito e nunca paro de viajar, qdo vejo ja passou tempo.

    Meu nome é Gustavo, tenho 35 anos e moro Floripa.

    vou viajar março ou abril – 2015 só, de carro; saindo de Florianopolis, subindo por Foz Iguaçu, Salta, Jujuy, Villazon, salarUyniu, lagunas, salares, Atacama, Salta, e descendo até Patagonia, e El Calafate nos Glaciares. Busco cias. positivas, será uma viagem simples e buscando natureza, paisagens, culturas, vivencias, aprendizagens. Hostels, albergues, acampar. Tudo com higiene, segurança e conforto.
    interessados – email ; gscuba22@hotmail.com

    Quero falar com vc sobre informações estradas, carro, gastos, segurança, etc..;

    Por favor, vamos manter contato.

    grato,

    gustavo

  • Ulisses Gabry

    Show de bola, mais um blog na minha lista para eu acompanhar… :)

    • Maravilha Ulisses, o Dondeando é pra marcar nos favoritos e dar um pulo sempre! É garantia de encontrar muita coisa boa e novidades fresquinhas :) Abraço!

  • Adorei essa nova série, o Michel sempre com novas idéias bacanas!

    Gostei muito de saber mais sobre a Clarissa. Acho que as primeiras impressões, o começo de tudo, é a parte mais mágica de um viajante apaixonado. Aquele “click” que desperta uma nova paixão e norteia os nossos próximos caminhos! Adorei o relato!

    Abraços

    Giselle Gurgel

    • Valeu Giselle, legal que curtiu a série e o post sobre essa história bem legal da Clarissa/blog! Essa galera viajante só faz aumentar a nossa sede de mundo :D Abraços e paz, Michel

  • Uau,

    Cada vez que conheço um pouco mais, vou me tornando um grande fã do seu trabalho, Clarissa. Ops, errei, já sou fã faz tempo, desde antes de começar meu próprio blog.

    Sorte e bons mares para o futuro.

    Beijos

    Abs Michel, show a série…como sempre!!!