Parceiros de viagem: Acabou a desculpa de que… A Culpa é do Fuso



Nesse mundo sempre mais saturado dos blogs de viagem, tenho a honra de contar com a amizade de muitos dos(as) melhores blogueiros(as) da internet brasuca. Em tantos anos de estrada acabamos virando uma grande família que se ajuda e cresce junta, compartilhando sonhos, desafios e conquistas. E é nessa vibe positiva que decidi criar a série Parceiros de viagem, onde blogueiros(as) convidados(as) – autores dos meus blogs de viagem preferidos – vão contar um pouco como tudo rolou, desde a criação do blog até projetos atuais e futuros.

Nossa terceira convidada também é carioca, mas foi parar do outro lado do mundo, desembarcando de mala e cuia com o maridão para realizar uma tão sonhada aventura: recomeçar a “pintar” a vida em um quadro ainda branquinho. Hoje esse quadro ganha novas cores, contrastes e personagens curiosos a cada dia, em uma nova rotina em Cingapura e em outros destinos asiáticos. A redatora publicitária Clarissa Ferreira deixou de lado a desculpa do fuso para compartilhar com parentes e amigos – e agora com todos vocês – essa rotina exótica e fascinante. Em séries super bem feitas ela compartilha sensações e abre a sua bagagem de memórias com uma infinidade de fotos, vídeos e curiosidades. Aperte os cintos e embarque nessa aventura:

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(Foto: André Garcia / Cingapura)

Escrevo as seguintes linhas da sacada de um apartamento de onde avisto o incrível skyline de Cingapura, meu lar há mais de um ano. É uma rotineira tarde de domingo quando os batuques do templo hindú da esquina se confundem com o rock alto que atravessa as paredes do meu vizinho australiano. Do outro lado do mundo, no Brasil, meus amigos e minha família ainda dormem os resquícios de uma noite de sábado.

Não muito tempo atrás, essa que hoje é minha rotina na Ásia seria inimaginável. Redatora publicitária, trabalhava em um canal de TV a cabo. Recém-juntada, vivia a dois pela primeira vez em um aconchegante apartamento em Laranjeiras. Vegetariana, ia à feira todos os sábados pela manhã. Carioca, pulava blocos de carnaval em Santa Teresa, ia à praia de Ipanema, reclamava do preço da cerveja e do trânsito. Mas apesar de toda a alegria da minha vidinha comum, por nenhum instante eu tirava os olhos e o pensamento daqueles 30 dias de felicidade plena chamados “férias”.

Com emprego fixo desde a faculdade fui, de férias em férias, colecionando mochiladas: América do Sul, Europa, Ásia, Brasil… e o mundo foi ficando pequeno para 30 dias por ano. Mas “é o que temos pra hoje”, eu pensava. Um dia, quem sabe, isso muda? Ter meu próprio negócio? Virar freelancer? Ideias assustadoras pra quem foi educada para ter uma carreira. Mais assustadora ainda pra quem vive em uma cidade cara como o Rio de Janeiro. Trocar o certo pelo absolutamente incerto requer ousadia e coragem. Uma certa audácia, até! E confesso: me faltava tudo isso. Eu precisava de um empurrãozinho.

(Foto: Clarissa Ferreira / Koh Phi Phi, Tailândia)

(Foto: Clarissa Ferreira / Koh Phi Phi, Tailândia)

Pouco depois de adentrar aquele terreno nebuloso dos 30 anos, entre crises e dúvidas a vida me deu o empurrão que eu precisava de uma forma inesperada. Meu ultra-recém-juntado-namorido recebeu uma proposta de trabalho em Cingapura e em um papo de 10 minutos foi decidido: era hora de fazer as malas. Menos de dois meses depois, nosso voo da Emirates aterrissava no aeroporto Changi da ilha cidade-estado no sudeste asiático. Sem amigos, sem família, só nós dois. Como eu havia sonhado por tanto tempo, minha vida agora era uma tela em branco inspiradora e ao mesmo tempo assustadora.

Para minha sorte, eu já trabalhava como roteirista freelancer para uma produtora no Rio de Janeiro, uma atividade que eu poderia exercer de qualquer lugar do mundo com um laptop e uma boa conexão. Viva a modernidade! E viva os sócios da produtora que já compreendem esse novo modelo de trabalho ainda ignorado por muitas empresas. Sem dúvida foi o que me fez resistir à tentação inicial de chegar aqui já à caça de emprego fixo, carteira assinada e vinte (sim, vinte) dias de férias por ano.

Me reinventar e me redescobrir como pessoa e como profissional foi um desafio maior do que eu poderia imaginar. Para entender e enfrentar esse processo de mudança, me cerquei de tudo o que era capaz de me motivar e me inspirar a construir um novo caminho. Reencontrei meu lado criativo, aprendi a valorizar meu tempo livre e fazer bom uso dele. A distância da minha família e dos meus amigos me fez querer escrever mais, fotografar mais, registrar mais. Minhas câmeras se tornaram parceiras inseparáveis.

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(Foto: André Garcia / gravação em Chiang Mai)

A localização privilegiada com voos diretos – e curtos – a lugares que eram sonhos de consumo anteriormente quase inatingíveis nos permitiu fazer o que mais amamos: viajar! Passado um ano, eu já acumulava horas de material gravado pelas andanças na Ásia: Myanmar, Camboja, Laos, Indonésia, Tailândia, Hong Kong… e a lista não parava de crescer. Tantas belas imagens fadadas a um HD externo!

(Foto: Clarissa Ferreira / Bali, Indonésia)

(Foto: Clarissa Ferreira / Bali, Indonésia)

Para completar as conversas breves com a família e os amigos no Brasil que a enorme diferença de fuso horário eventualmente permitia, passei a contar a nossa história aqui do outro lado do mundo através de curtos vídeos das nossas viagens. O que nasceu como um pequeno projeto pessoal começou a crescer, inflado pela força dos amigos e do marido – que a essa altura já tinha sido promovido a câmera 2. A outrora brincadeira ganhou um nome, uma cara, um site e se transformou em uma web serie com episódios quinzenais.

O projeto, ainda totalmente independente, é tocado basicamente por mim (imagens, roteiro, apresentação e edição), com a ajuda fundamental do meu marido que viaja comigo e faz as imagens de apoio e do Nuno Boggiss, designer responsável por toda a arte da série. Todos ralando muito pelo simples desejo de investir tempo e energia em um projeto que nos permite liberdade criativa e trabalhar com muito, mas muito amor!

[vimeo]http://www.vimeo.com/82546035[/vimeo]

Difícil dizer o que esperar do futuro. Ainda temos muito trabalho pela frente em termos de divulgação e planejamento de parcerias. Mas o nosso foco por enquanto ainda é a difícil tarefa de produzir um conteúdo audiovisual de qualidade que inspire e motive as pessoas a cair na estrada e rodar o mundo com seus próprios pés. O retorno tem sido surpreendente, lindo e muito inspirador, o que já anuncia um ano muito promissor!

Mas, por enquanto, uma coisa é certa: 2014 será mais um ano de viagens, pessoas e histórias.

[vimeo]http://www.vimeo.com/86967602[/vimeo]

Para acompanhar a série:
www.aculpaedofuso.com
facebook.com/aculpaedofuso

instagram.com/aculpaedofuso

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.
  • Parabéns Michel, postagem fantástica, muito bem elaborada, fico feliz em encontrar pessoas assim que escreve conteúdos de ótima qualidade, sempre acompanho seu blog, é muito legal. Eu também tenho um blog onde escrevo sobre viagens, http://www.superdicasdeviagem.com. Parabéns mais uma vez e sucesso sempre.

  • Acho que com apenas uma palavra espúria serei capaz de demonstrar o meu sentimento mais puro…INVEJA!!!

    Mas tranquilizem, é daquela inveja boa, positiva, que se confunde com admiração.

    Já me emocionei com esse curta-metragem da sua história, imagine quando rodar o filme todo…

  • Clara

    Adorei o texto e a série! Trabalhar fazendo o que se gosta e como se gosta é um privilégio dos corajosos! Sucesso e longa vida a Culpa é do Fuso!

  • Fantástico e inspirador.
    Lindas imagens também! Parabéns pela vida!