Quando descobri que a saudade vale a pena



Pessoas se propõem a abrir o seu horizonte, conhecer o novo para, num futuro, poder dizer que a experiência valeu a pena. Ariane Noronha pôs à prova os medos, a ansiedade, a insegurança, e viu que tudo é aprendizado e que só tiraremos nossas dúvidas se encararmos de frente os obstáculos. Ela não perdeu a oportunidade de realizar um sonho e hoje entende que todo esforço é realmente válido.

A decisão que tomei de sair do Brasil para viver sozinha uma nova cultura tem valido cada lágrima que já derramei de saudade de casa. Confesso que, mesmo depois de um ano e três meses morando nos Estados Unidos, ainda preciso lidar com isso. Às vezes, a lágrima escapa e o jeito é respirar fundo, colocar uma música animada e fingir para os outros e para si mesmo que o “homesick” – como falamos em inglês nos referindo a “saudade de casa” – nem tem passado por perto. Isso, no entanto, faz parte do processo do aprendizado. E quanto já não aprendi nessa jornada se eu contar cada lágrima derramada…!?

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Moro no estado de Virginia, nos Estados Unidos, em uma cidadezinha chamada Woodbridge, que fica a mais ou menos 40 minutos de Washington D.C., capital do país. O lugar é muito bonito e tem a melhor arquitetura e paisagem que já vi. Já visitei outros estados americanos, como Nova York, Pensilvânia, Texas, Geórgia e Flórida. Cada um tem sua beleza e peculiaridade.

Faço o intercâmbio de Au Pair, que resumidamente é cuidar de criança e estudar. Esta foi a forma mais acessível financeiramente que encontrei para viver a cultura americana. Os requisitos são ter entre 18 e 26 anos, ter inglês intermediário, experiência comprovada em cuidados com criança e saber dirigir. Existem várias agências espalhadas pelo Brasil que promovem este tipo de intercâmbio e vale muito a pena. Eu recomendo a experiência para todos que ainda estão dentro da faixa etária indicada.

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Vivo a cultura americana intensamente, pois moro com americanos, e isso é incrível. Fiz amizade não só com a minha família anfitriã, mas com pessoas de diversas partes do mundo, vindas da Itália, Alemanha, Colômbia, Argentina, o que jamais imaginei, até pela questão da comunicação. Mas o fato de eu ter aprendido a falar inglês quebrou essa barreira. Aprendi ainda que, apesar das diferenças, dividimos pensamentos e sonhos parecidos. Somos, no fundo, todos iguais. Todos seres humanos, vindos de realidades diferentes, mas com várias coisas em comum.

Os primeiros três meses longe do “seu povo”, sozinha, em um país totalmente diferente, com pessoas e idioma diferentes, são esquisitos, porém desafiadores. Eu adoro desafios. Abrir mão de emprego, família e amigos (por determinado tempo) me possibilitou descobrir um mundo tanto fora quanto dentro de mim.

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O intercâmbio me fez enxergar que posso ir para onde eu quiser, ser o que eu quiser e que o mundo é muito maior do que pensei. Que o ser humano é totalmente adaptável e que conhecimento enriquece muito mais do que dinheiro. Não foi fácil o processo, mas todo o esforço gerou uma recompensa pessoal para o resto da vida. Tudo o que tenho aprendido nessa jornada americana é muito singular, indescritível. O que levarei na bagagem quando voltar pra casa serão, principalmente, memórias, histórias e recordações. Coisas que nunca ninguém no mundo conseguirá tirar de mim.

Texto: Ariane Noronha
Fotos: Arquivo pessoal

Ariane também escreve para o blog pessoal O Fantástico Mundo de Ari. Nós, do RPM, agradecemos a colaboração, contando aos nossos leitores um pouco da vida na América.

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Arnaldo Rafael Borges

Arnaldo Rafael Borges

Com formação em Jornalismo, já viajei bastante por este mundão. Além de morar por um ano na Austrália, conheci países como México, Argentina, Uruguai, Chile e Nova Zelândia e também gosto de compartilhar o que há de mais interessante e inspirador para o viajante.