3 coisas que aprendi ao escrever um livro sobre a minha jornada pelo mundo

escrever um livro de viagem


Assim como qualquer tarefa ou projeto, escrever um livro também requer dedicação, investimento de tempo e esforço mental. O processo pode até não ser tão fácil e nem sempre prazeroso, mas o resultado final é gratificante, e o aprendizado, muito além do que eu poderia imaginar em meus sonhos mais ousados.

Quando comecei a escrever esse livro (o meu primeiro), sentia-me vulnerável. Exposto. Suscetível às críticas das pessoas. E de alguma forma, eu estava certo. Ao colocar no papel, ou no computador, meus pensamentos e reflexões, estava sim dando margem a julgamentos, críticas e comentários ácidos.

E aquilo me aterrorizava. Só em pensar que alguém poderia comprar meu livro e depois de lê-lo me enviar um e-mail dizendo: Olha Sávio, seu livro é muito fraco, suas histórias não são nada interessantes e suas reflexões não acrescentaram nada a minha vida.

Só de pensar nessa possibilidade, eu tinha calafrios. Às vezes relia o que tinha escrito no dia anterior e como que em num golpe de misericórdia deletava tudo ou pelo menos parava, fechava o computador e ia fazer algo mais. Ia me ocupar com alguma atividade que me permitisse esquecer que estava tentando me tornar um escritor.

Mas para continuar escrevendo, tive que enfrentar esse medo. Essa angústia. Essa sensação de que em algum momento, um grupo de pessoas estaria em uma mesa de bar e de repente alguém tiraria o meu livro da mochila e diria – olha só galera, olha quantas asneiras esse cara aqui tá dizendo. E passaria o livro de mão em mão, enquanto os demais davam gargalhadas. É, pode parecer exagero, mas quando nos propomos a emitir nossas opiniões, principalmente em uma sociedade que adora críticas e julgamentos, uma luz vermelha acende dentro de nós, como que dizendo – te prepara que lá vem pancada.

Era inevitável pensar: será que essa menina vai achar ruim que eu mencione seu nome nessa parte do livro? O que vai acontecer se o cara de quem eu falei no capítulo 7 vai um dia ler isso e vir tirar satisfações comigo? E a forma com eu escrevo, será que é assim mesmo que se deve escrever um livro? Essas eram apenas algumas das dúvidas que permeavam minha mente nos momentos de solidão. Quando eu tinha apenas meus pensamentos como companhia.

Por várias vezes pensei – será que eu devo mesmo continuar com isso?

Bom, continuei e acredite – sobrevivi. Nada aconteceu. Nenhum pedacinho de mim foi arrancado. Hoje, vivo talvez um dos momentos mais interessantes da minha vida, recebendo mensagens (texto e áudio) das pessoas que terminaram de ler o livro me dizendo o quão importante foi ter tido contato com minhas histórias e reflexões. Da identificação que tiveram quando eu disse “aquilo” no capítulo “tal” e que já estão ansiosas para saber se vou escrever um segundo livro.

E agora que passou a tempestade e os momentos de dúvidas, quero compartilhar com você algumas lições que aprendi durante esse processo de autoconhecimento que é escrever um livro.

1. Um livro nunca será um fracasso. Ou será um sucesso ou servirá como uma fonte de aprendizado.

No início, não falava para ninguém que estava escrevendo um livro. Só aos poucos fui me acostumando com essa idéia e me soltando mais.

Foi apenas quando percebi que mesmo que o livro não vendesse o que eu esperava, ou que as críticas fossem mais frequentes do que os elogios. Mesmo assim, ficaria o aprendizado de ter passado por aquele processo longo e enriquecedor. E isso ninguém tiraria de mim. Foi só então que consegui relaxar e curtir o momento. E isso me fez entrar em um estado mental fértil para novas idéias e me fez adotar uma forma de escrever espontânea, sem amarras ou condições. Foi só então que me senti mais Eu e me soltei no ato da escrita. Hoje, quando releio meus textos, penso – é, se alguém não gostou, pelo menos eu fui eu mesmo quando escrevia. Isso ninguém vai poder contestar. E mais, agora já tenho a experiência de ter passado por esse processo. Essa jornada. Agora já estou menos despreparado para uma segunda tentativa.

2. “A Jornada é o que importa. Não o destino.”

O aprendizado de escrever um livro vai muito além do resultado final ou da opinião das pessoas. A jornada de um escritor, aquela constante batalha interna, onde as idéias de ontem não valem mais e mesmo as de hoje parecem não querer encaixar dentro de um determinado capítulo, essa batalha constante lapida o olhar do escritor, o torna mais apurado. O faz também, se desamarrar de crenças limitadoras, para poder escrever com liberdade, sem a preocupação de querer saber o que vão achar ou deixar de achar, voando como um pássaro, nas páginas da imaginação.

No início comecei a escrever como forma de terapia, para colocar meus pensamentos no papel. Aquela altura, não tinha a pretensão de me tornar um escritor. Após um ano e meio, ao perceber que já tinha bastante material produzido, tive aquele momento de serendipidade e decidi que aqueles textos seriam o início de um livro. A partir de então comecei a escrever com um olhar mais atento a detalhes, tomei gosto pela escrita, trabalhei em escrever mais textos e fazer a obra ter uma introdução, minhas histórias e Reflexões, entrevista com outros viajantes e as considerações finais.

Hoje, após o lançamento deste livro e alguns eventos onde dei palestras e respondi perguntas dos leitores, me sinto, mais do que nunca, dentro do processo, aprendendo a cada dia, com os elogios de pessoas que nem conheço, a indiferença de algumas que pensei iriam ser as primeiras a me dizer algo sobre o livro e todo o carinho, respeito e mensagens positivas que o livro trouxe.

É nessas horas que percebemos que a jornada é o que importa, não o destino .

3. Escrever Um Livro É um Experimento Social

Sim, esse livro representa antes de tudo, um experimento. Uma forma de descobrir como eu me sentiria ao ver meus textos serem lidos por familiares, amigos, pessoas que conheço e as que nunca conseguirei ter contato. Um experimento social, permeado de surpresas e desafios e que me fez crescer ao longo do processo.

escrever um livro de viagem

As idas até a gráfica para fazer correções, acompanhar o trabalho de impressão e conversar sobre os prazos de entrega. As mensagens de texto e audio recebidas das pessoas que iam terminando de ler o livro. A organização dos eventos, as conversas com pessoas, recebendo opiniões dos mais experientes, enfim, tudo isso contribuiu com esse escritor em formação aqui.

No dia do lançamento do livro, cheguei cedo ao local. Tirei as várias caixas de livros do bagageiro do carro, com a ajuda de algumas pessoas, e me dirigi ao Café onde ocorreu o evento.

Montamos a mesa, (eu e algumas pessoas que estavam ali para me ajudar) testamos a maquininha, que seria utilizada para receber pagamentos a cartão, olhei para cima algumas vezes para me assegurar que não ia chover, pois estávamos no período chuvoso em minha Cidade, me sentei e esperei as primeiras leitores chegarem. Era um dia quente. Muito quente. Eu suava, não sei se de nervosismo ou do calor que fazia. Quando a primeira pessoa se mostrou à distância, vindo em minha direção, pensei comigo – nossa, que alívio, pelo menos uma pessoa apareceu.

Nesse livro, expus fatos de minha vida pessoal, falei das vezes que não estava com a auto-estima das melhores, dos meus erros, das mudanças de rumo, enfim, tirei a roupa, metaforicamente falando, e me permiti arriscar sem ter medo de ser feliz.

E hoje, ao escrever esse texto, várias memórias retornam ao primeiro plano dos meus pensamentos como que refrescando minha memória e me dando, mais uma vez, a possibilidade de reviver momentos prazerosos e desafiadores. Espero que essa sensação de algo inacabado. De estrada. De jornada. Não se vá tão cedo, porque estou saboreando cada minuto dessa caminhada, onde o que importa são as experiências vividas, os aprendizados e as pessoas que vou conhecendo ao longo do caminho. O resultado final será apenas um mero detalhe que confirmará o que foi plantado às margens dessa estrada. Espero que curtam a leitura. Boa viagem.

Sávio Meireles

Como comprar
Se você ficou interessado em adquirir o livro “A Jornada – Histórias e reflexões de uma viagem sem volta”, poderá enviar um e-mail para saviomeireles@gmail.com e fazer o seu pedido.
Como a produção é independente, o livro ainda não está à venda em nenhuma livraria. O valor é R$ 40 e o autor envia para todo o Brasil, mediante pagamento do frete. Para quem vive em São Paulo capital, o livro poderá ser pedido por e-mail e ser retirado com um representante que o Sávio tem na cidade.

Sobre o autor
Sávio Meireles Lemos é um viajante cearense, professor de idiomas e escritor. Cursou administração e marketing enquanto vivia em Fortaleza, no Ceará, e concluiu seus estudos fazendo especialização na área na “Australian Pacific College”, em Sydney, Austrália. Para conhecer um pouco mais do seu trabalho, você pode conferir o seu Instagram e também acessar o site saviomeireles.com

As informações “como comprar” e “sobre o autor” foram retiradas do Blog Andarilho.

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.