Fui ali, logo ali no fim do mundo, e voltei



Viagenzinha de gelar a alma, mesmo mantendo o coração aquecido, foi essa de 10 dias que fizemos pela Patagônia Chilena, após uma rápida passagem por Bariloche, na Argentina.

Uma viagem linda, com paisagens únicas, mas de muito, muito frio. Até protetor de orelha foi necessário, além de gorro, sobretudo, luvas e muitas blusas.

Iniciamos nosso passeio em meados de agosto por Bariloche, cantinho privilegiado do mundo, que cresceu às margens do lago Nahuel Huapi e está cercado de montanhas nevadas e oportunidades de passeios para se fazer e se desfrutar de boa comida, bom vinho – e muitos brasileiros. Não é nem sequer necessário tentar hablar espanhol, porque os argentinos falam bem o português por lá. Obrigatório fazer o passeio “circuito chico” com direito à foto com uma fofura de São Bernardo. Recomendo uma parada no Punto Panoramico – onde é possível desfrutar de alguns petiscos saborosos e uma cerveja artesanal ou um bom chá, além da agradável companhia do proprietário simpático. Provar ou abusar das empanadas e das cervejas locais também pode ser delicioso no centro da cidade ou ao longo do passeio.

Cerro Catedral é um grande e bonito complexo de esqui, para os amantes do esporte. Nós não tivemos sorte, pois não havia muita neve nas montanhas e algumas pistas estavam interditadas. Mas não dá para reclamar porque o sol foi nosso companheiro constante. Um alerta sobre cartão de crédito: tivemos muita dificuldade, assim como diversos turistas, em usar cartão por lá. Importante levar uma quantia em dinheiro para evitar aborrecimentos.

Passamos, meu marido e eu, três românticos dias ali em Bariloche e depois seguimos para bem pertinho do fim do mundo, na Patagônia do Chile. Terra dos Pinguins, que por sinal não aguentaram o frio de lascar e escaparam para o Rio de Janeiro.

Punta Arenas é uma cidade simples, onde passa o Estreito de Magalhães (das aulas de Geografia no colégio, colado com Terra do Fogo, lembra?) e o seu principal atrativo são as pinguineiras. Chega a ser engraçado porque tudo na cidade faz mençâo ao bichinho: de Peluqueria “El Pinguino” a periódico “El Pinguino”. Mas os tais pinguins mesmo nós não encontramos, porque estão por lá a partir de outubro/novembro. Em agosto, estavam passando férias em Buzios.

O que vimos foram os Cormoranos, pássaros que se assemelham aos pinguins, só que voam.

Punta Arenas só vale a passagem… não é preciso dormir mais de uma noite, não há muitos atrativos além do cassino. Destaque dos restaurantes: carnes e centollas, uma espécie de caranqueijo bem gostoso, que o pessoal de lá tem bastante orgulho de servir – e o preço é proporcional a este orgulho. É caro, mas vale degustar. Não recomendo os locos, que são uma espécie de lesma do mar, servida cru. O gosto está longe de parecer com escargots.

Nosso destino seguinte foi Puerto Natales. Fomos de ônibus, partindo de Punta Arenas (três horas de viagem). A cidade é ainda menor, mas é de lá que sai o passeio para o Parque Nacional Torres del Paine, que merece ser visitado. As torres são rochas gigantes de mármore e o parque é magnífico. Parte do passeio inclui ir até uma praia onde se pode avistar gelo eterno e muito azul. Ali, passei um frio de doer a alma. Vento que cortava. Mas valeu a pena. Fizemos também um passeio de barco até outros glaciais – Balmacedo e Serrano. Ao fim, tomamos Pisco Sour com gelo dos glaciais. Nada mal, hã?

Para concluir a viagem, pit-stop em Santiago, com passeio ao Pátio Bela Vista e jantarzinho no “Como Água para Chocolate”. Preciso voltar à cidade. Ficou um gostinho de quero mais.

Texto original publicado no site Confeitaria e reproduzido integralmente com as devidas autorizações.

ALESSANDRA MAUAD
Mineira que já deu a volta ao mundo, vive agora no Rio de Janeiro, cidade pela qual é apaixonada. Adora viajar, conhecer pessoas, línguas e culturas diferentes. Seu interesse genuíno pelo ser humano é renovado no seu dia a dia. Faz de tudo um pouco, inclusive escrever.

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.