Musa das artes marciais descobre as maravilhas do Brasil… e do mundo



Em uma era pré-internet, isto é, na década de 90, a diversão para muitos jovens era assistir TV, em uma época onde as emissoras exibiam a exaustão filmes de artes marciais, muito além de Van Damme. Dentre uma avalanche de filmes de luta, uma mulher se destacava em um meio dominado por homens – Cynthia Rothrock.

Dona de 6 faixas pretas e mais de 50 filmes ao longo de uma carreira de aproximadamente 35 anos, a rainha das artes marciais desembarcou no Rio de Janeiro pela primeira vez no país e bateu um papo super animado comigo em um local escolhido por ela, em um quiosque na praia de Copacabana.

Após mais de uma década trabalhando sem parar, em países como China, Indonésia, Filipinas e claro os Estados Unidos, nos últimos anos Cynthia Rothrock tem se dedicado às viagens ao redor do mundo, onde sempre prioriza pelos esportes de aventura, quanto mais radical – melhor.

Ela também viaja muito a trabalho, apresentando seminários e conferências sobre artes marciais nos 4 cantos do mundo, este ano, ela já tem compromissos profissionais na Suíça e Itália.

E quando o assunto é atividade radical, sua lista de aventuras é tão extensa quanto seu currículo de filmes, ela já escalou o Monte Everest e o Fuji no Japão, já nadou nas águas cristalinas de Zanzibar, fez safári no Quênia, trekking nas florestas do Equador assim como nos locais místicos do Peru.

Também esteve em Cuba, Costa Rica e Guiana Francesa, em Portugal passou apenas algumas horas mas gostou de Lisboa, na Alemanha, fez questão de visitar o Muro de Berlim (East Side Gallery), mas o seu apelo é maior para as viagens de aventura, onde já fez rapel em cachoeira na América Central, trekking na gélida Antártida e longas caminhadas na Patagônia.

No Rio, ela fez a pequena trilha que dá acesso ao Forte do Leme, onde ficou encantada com os saguis, além de ter visitado os tradicionais pontos turísticos da cidade como Corcovado, Pão de Açúcar, Lapa, Porto Maravilha etc, passando desapercebida, já que nos anos 90, Cynthia adotava um visual loiro com cabelos curtos, hoje ela prefere as madeixas pretas com mechas lilás onde arriscou até uns dreads nas pontas, mas seu rosto em nada mudou.

Questionada se deu um mergulho no mar de Copacabana, ela diz enfática que apenas ficou na areia, pois ela prefere passeios mais agitados. Do Rio de Janeiro, Cynthia Rothrock embarcou para Foz do Iguaçu, me confessou empolgada que estava ansiosa para fazer o passeio de barco que se aproxima das cataratas.

Do Brasil, ela seguiu para a Argentina e também o Chile para depois retornar aos Estados Unidos para fazer uma participação na série de TV “Diário de um Lunático”. Vale lembrar que Cynthia Rothrock foi a primeira mulher a estrelar filmes de ação ainda nos anos 80, em um meio massivamente masculino, também foi a primeira mulher na capa da revista Black Belt especializada em artes marciais, além disso serviu de inspiração para a criação da personagem Sonya Blade no game Mortal Kombat, além de ter lançado por duas vezes vídeos onde ensina técnicas de defesa pessoal para mulheres.

Questionei a ela quais países ela gostou mais de visitar, pois já esteve em mais de 40 lugares mundo afora. Cynthia foi categórica em dizer que foi na África, mais precisamente no Quênia e Tanzânia (ela também já esteve no Marrocos e em Cabo Verde). Ela afirma que se sentiu muita amada pelo povo africano que a reconheceu em diversos momentos, além de adorar animais, ela também achou magnífica as paisagens africanas, onde se hospedeu em lodges localizados dentros das reservas selvagens.

Antes de encerrar nossa animada entrevista, pergunto se após ter trabalhado tanto nas décadas de 80 e 90, se ela estava nos últimos anos se dedicando mais a ela mesma, as viagens de aventura, sua segunda paixão. Cynthia diz que em 1999 se tornou mãe, e que não dava para conciliar a maternidade com o trabalho e resolveu dar um tempo na carreira para se dedicar a filha, foi quando elas viajavam juntas a lazer, que a musa dos filmes de ação descobriu a paixão pelas viagens e os esportes radicais.

Atualmente, Cynthia se divide entre a carreira de atriz e também os seminários e eventos como convidada de honra, sem esquecer as jornadas mundo afora, uma delas já programada para este ano, em outubro ela segue rumo a Nova Zelândia em busca de mais aventuras.

A “Van Damme de saias” como o renomado crítico de cinema Rubens Ewald Filho a descreveu, tem um pique que poucos têm, nada mal para quem já passou dos 60 anos sendo uma viajante nômade.

Sobre o autor: André Araujo
Consultor em Turismo e Jornalista – Curte viajar para lugares comuns e incomuns, no interior do país ou exterior. Tem passagens pela América do Norte/Sul, África e Europa. Lema: Viajar enriquece mais do que alguns trocados!

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Michel Zylberberg

Criei o blog em 2006 para compartilhar as minhas andanças pelo mundo, já rodei por mais de 20 países e gosto de incentivar as pessoas a conhecerem o que esse mundão maravilhoso tem a oferecer! Conto com a colaboração de amigos e convidados para poder trazer um conteúdo relevante e interessante, sempre junto com a minha grande paixão - a fotografia.