O entrevistado da vez é Pedro Carneiro Leão, grande amigo, recifense, aniversariante do dia (22/06). Está completando 30 anos, casado com Renata e curtindo a chegada do primeiro filho! (Parabéns e felicidades sempre para todos vocês!)
Engenheiro Civil da multinacional Odebrecht, trabalha já há alguns anos em Angola (África) e também aceitou o convite para compartilhar um pouco das suas experiências de vida.
Nos conhecemos através do meu amigo (irmão dele) Romero, nas minhas viagens para Recife, onde fui sempre muitíssimo bem recebido e me sentia parte da família!
Melhor deixar as apresentações de lado e partir para o que interessa! :)
Rodando Pelo Mundo: Como foi passar boa parte da vida em paraísos como Recife, Tamandaré e outros tantos lugares irados no nordeste? Quais você recomendaria?
Pedro Carneiro Leão: Me sinto sortudo por ser Recifense e de ter paraísos próximos como Tamandaré, Porto de Galinhas / Maracaípe, Maragogi, Pipa, Canoa Quebrada, Jericoacoara… são muitos que eu recomendaria! Isto me tornou um “praieiro”. Indico estes lugares, mas com certeza tem diversos outros que valem o tanto quanto.

“Você é do tamanho dos seus sonhos!” (Reveillon em Tamandaré)
RPM: Quais os países você visitou além de Angola? Quais você gostou mais?
Pedro: Nas Américas, EUA, México, Argentina e Chile; Na Europa, Portugal, França, Holanda, Bélgica, Inglaterra e Escócia; Na África, Angola, África do Sul e Namíbia. É complicado dizer qual destes eu gostei mais, pois cada um tem seu charme e suas características. O que posso afirmar é que, devido as minhas experiências mais recentes, não deixem de conhecer a África!
RPM: Fale um pouco da tua profissão e da tua carreira. Como foi o reflexo da crise na Odebrecht? Qual a previsão de crescimento dentro da empresa?
Pedro: Ser engenheiro civil não é fácil, pois assim como o artista vai aonde o povo está, o engenheiro vai aonde estão as obras, portanto somos quase nômades. Mas isso é um dos pontos fortes, pois temos a oportunidade de conhecer pessoas, lugares e culturas das mais variadas! E para aqueles dispostos a enfrentar tudo isso, o crescimento é mais rápido. Mas não é fácil, ainda mais em momentos de crise como este. Porém, é nas adversidades que os melhores se destacam, utilizando dentre outras coisas a criatividade. Com relação ao crescimento, sempre uso uma frase que li um tempão atrás: “Você é do tamanho dos seus sonhos!”.

"Ser engenheiro civil não é fácil, pois assim como o artista vai aonde o povo está, o engenheiro vai aonde estão as obras, portanto somos quase nômades." (Namíbia, África)
RPM: Muitos brasileiros têm a chance de ir trabalhar no exterior, mas nem todos têm coragem. Como foi a decisão e a reação da família e amigos?
Pedro: Por conta do histórico familiar, e também da natureza da minha área profissional e perfil da Odebrecht, o exterior sempre foi uma possibilidade viável e próxima. A reação com esta mudança foi natural, por incrível que pareça, pois esta idéia sempre esteve presente nos meus planos e consequentemente nos planos da minha família também. E como dizem, o lucro é proporcional ao risco… portanto arrisquem!
RPM: Você chegou a se arrepender de ter ido morar na África? Qual seria o conselho para quem está enfrentando um desafio desse tipo?
Pedro: Não me arrependo não… pelo contrário, na verdade fico orgulhoso em estar enfrentando e vencendo este desafio junto com a família! Acho o arrependimento um sentimento que não devemos ter. Aconselhar é uma das tarefas mais difíceis, mas devemos ter uma base familiar e de amigos que te dê suporte para enfrentar as dificuldades que com certeza aparecerão, e também ter pessoas para dividir e aproveitar os bônus de toda essa loucura!

"O que posso afirmar é que, devido as minhas experiências mais recentes, não deixem de conhecer a África!" (Cabo da Boa Esperança, África)
RPM: Em Angola a questão de segurança é um pouco complicada, poderia explicar mais ou menos como é o dia a dia de uma pessoa como você e como você reage a tudo isso?
Pedro: Por incrível que pareça, nos sentimos mais seguros aqui do que no Brasil! A violência urbana preocupa os brasileiros, mas aqui não temos tanto este medo (por enquanto…). Porém, no centro da cidade e em alguns bairros mais pobres, existe sim alguma insegurança. No bairro que moramos, Talatona, é mais tranqüilo, e o fato de morarmos em condomínio fechado ajuda bastante. Mas também tentamos não nos expor muito, pois somos estrangeiros em um país da África.
RPM: Como foram os primeiros meses sozinho e depois a chegada da esposa? Ela também se adaptou bem?
Pedro: O início foi bom para focar no trabalho, entender como as coisas funcionam por aqui e começar a assimilar a cultura local. Mas também para organizar a casa para a chegada da esposa. Após 2 meses, Renata veio e se adaptou super bem! Já tínhamos alguns amigos brasileiros aqui, o que facilitou bastante, porém o ponto crucial é estarmos abertos para o novo, sem preconceitos e buscar olhar as coisas por outro ângulo. Isso sim é a chave para nos adaptarmos às novas culturas.

"Por incrível que pareça, nos sentimos mais seguros aqui do que no Brasil! (...) Mas também tentamos não nos expor muito, pois somos estrangeiros em um país da África."
RPM: Com a chegada dela, veio também o primeiro filho. Como foi passar os primeiros meses longe da família? Quais são os projetos para o futuro e os próximos destinos?
Pedro: Não foi fácil ter que voltar para Angola 10 dias após nascimento do filho. Mas consegui umas férias, e logo depois eles já voltaram comigo. Temos que “pagar uns preços”, infelizmente… mas valeu demais!
Sobre os próximos projetos e destinos, estamos todos passando por momentos difíceis por conta da crise mundial e com isto precisamos ter cautela e atenção, pois a fase não é boa. Precisamos pensar primeiro em “sobreviver” nesta crise, para então voltarmos a crescer.

"Porém o ponto crucial é estarmos abertos para o novo, sem preconceitos e buscar olhar as coisas por outro ângulo. Isso sim é a chave para nos adaptarmos às novas culturas." (Praia dos Carneiros)
RPM: A tua família é muito unida, mesmo com cada um morando em um lugar diverso, se reúnem sempre no final de cada ano. Até que ponto vale o sacrifício, com um filho pequeno, de fazer uma longa viagem e estar com a família?
Pedro: O que vale mesmo na vida é a família, os amigos e as experiências compartilhadas. Isso é o que levamos com a gente pra sempre, e não tem preço. É esse sentimento, a valorização da família / amigos, que torna o sacrifício para nos reunirmos um grande prazer com momentos únicos de convivência que infelizmente não temos durante o ano. Já virou uma tradição familiar: pegamos alguns dias no final de dezembro para conversarmos sobre o ano que está acabando e também planejar o seguinte, dividir nosso planos e idéias, e também contribuir como um todo. Não é fácil, pois Luis mora na Austrália com Gisele, Romero em Mossoró, João / Cris / Carol e Pepeu no Rio, meu pai e Isolda em SP e nós em Angola – imagine só!

"E como dizem, o lucro é proporcional ao risco... portanto arrisquem!" (Namíbia, África)
RPM: Agradeço pela força e por suas palavras! E, acima de tudo, pela amizade que você e tua família sempre demonstraram! Espero poder visitar vocês e tomar umas cervejas, seja na África, em Recife ou em qualquer outro lugar!
Pedro: A cerveja já está gelada te esperando!!! Grande abraço, amigão!
Valeu Pedrão, felicidades mais uma vez e espero que tenha curtido este “pequeno presente” de aniversário!
Boa semana para todos e muita paz!
Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com




!["Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Godafoss, Islândia) "Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" [Godafoss, Islândia]](http://www.rodandopelomundo.com/wp-content/uploads/2009/06/mauriciomatos02m.jpg)








RPM: Estados Unidos é (são?) famoso(s) pelo preconceito com os brasileiros. Rolou algo do tipo ou teu charme(!) fez a diferença?










