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Já começamos a contagem regressiva! Faltam poucos dias para partimos para o paraíso das Ilhas Maldivas! Vamos trocar um dos invernos mais rígidos dos últimos 60 anos na Suíça por uma Ilha com muito sol e temperatura sempre em torno de 30 graus!

rodandopelomundo_suicamaldivas

Vale o choque térmico, vale o jetleg, vale as 10 horas de vôo, vale qualquer sacrifício para curtirmos uma semana de relax total! Vamos passar da água (congelada) para o vinho. E eu quero MUITO vinho :D

Nota adicionada dia 11/02/10: Acabamos de tomar um susto grande, porque meu passaporte é válido até junho deste ano e pensávamos que era necessária uma validade de pelo menos 6 meses. Mas parece que não existe esse exigência e devemos mesmo partir sábado agora!  Torçam por nós e até a volta! :D

A minha intenção com o RPM sempre foi de compartilhar as minhas experiências e incentivar outras pessoas a se jogarem no mundo, então mensagens como essa me deixam muito feliz!

Primeiro quero agradecer por esse trabalho show que você anda fazendo (…) Parabéns novamente pela experiência que está nos passando com o seu blog. E você pode não acreditar, mas navegando nele acabei achando o que faltava em mim mesmo para que eu pudesse fazer o que sempre tive vontade de fazer, “Inspiração, determinação e coragem”. Onde estou largando tudo aqui no Brasil para colocar uma mochila nas costas para viver uma experiência na Austrália.
Bom, estou fechando com a mesma agência que você indicou (www.informationplanet.com.br), eu gostaria de saber se Manly é um lugar bom para ficar? Ou você sugere outro lugar?

Um forte abraço e se cuida.
Jean Carlo
Grande Jean Carlo, espero mesmo que dê tudo certo e que você possa curtir muito esse grande paraíso chamado Austrália! Quanto à sua pergunta, leia o post [Onde morar na Austrália?]. Eu sempre recomendo Manly Beach, que foi onde morei e gosto muito! Tem um mar maravilhoso, tem trabalho, tem qualidade de vida e muitos brasileiros que podem te ajudar! Quando chegar lá tome uma cerveja no Steyne Hotel ou no Shark Bar por mim!
Grande abraço e muita paz!
Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Hoje levei uma multa. É a segunda na Suíça e será a segunda que vou pagar. Sem perdão. Lembro que na primeira multa até tentei argumentar, mas as palavras do policial foram: “a multa chegará na tua casa daqui duas semanas”. E chegou, com a famosa e angustiante precisão suíça.

Quando morava na Austrália, trabalhava em um bar. Uma noite, quando fui sentar do lado de fora no bar para descansar um pouco na minha pausa, observava do meu lado um garoto sendo preso porque fazia xixi na parede. Até imaginei ele dizendo: “peraí seu guarda, deixa só eu acabar minha mijadinha e já vamos para a delegacia.”

Na Austrália e aqui na Suíça, quase sempre, as pessoas devolvem os objetos perdidos. Mesmo que sejam telefones e todas as coisas do tipo. Geralmente devolvem a carteira sem nem mesmo tirar o dinheiro de dentro. Minha chefe (suíça) me contou um dia que achou uma nota de 100 no chão e entregou para a polícia! Ela dizia que se ninguém fosse procurar pela nota perdida, depois de um certo período os policiais dariam o dinheiro a ela. Parece mentira?

Existem leis e leis. Existem policiais e policiais, culturas e culturas e povos e povos. E, para confirmar todas as minhas suspeitas, recebi um e-mail muito engraçado e que nos dá um tapa na cara de tão real. Para não ficar muito longo, vou resumir o e-mail entitulado “O BRASILEIRO É ASSIM”:

- Suborna, ou tenta subornar, quando é pego cometendo infração.
- Troca voto por qualquer coisa: cesta básica, areia, cimento, tijolo, dentadura.
- Pega atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.
- Faz gato de luz, de água e de tv a cabo.
- Compra recibo para abater na declaração do imposto de renda, também para pagar menos imposto.
- Escreve que a cor da pele é mais morena, para ingressar na universidade através do sistema de cotas.
- Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse pouco rodado.
- Comercializa os vales-transporte e vales-refeição que recebe das empresas onde trabalha.
- Falsifica tudo, tudo mesmo. Só não falsifica o que ainda não foi inventado.

Depois de tantas outras frases sobre as nossas malandragens e jeitinhos, o e-mail termina assim:

E querem que os políticos sejam honestos!!!
Ora, os políticos que aí estão, saíram do meio desse mesmo povo. Ou não ???

É difícil aceitar que seja verdade, que já fizemos muitas coisas assim. Uma das frases era “- Estaciona em vagas exclusivas para deficientes.” e foi assim que tomei a primeira multa. Um amigo estava muito atrasado para pegar o trem e não tinha estacionamento livre na estação, aí só encostei o carro na vaga, só que no tempo de tirar a mala do carro e sair, o policial já tinha multado.

Eu estava – muito – errado, mas meu amigo pegou o trem em tempo e eu fiquei imaginando como seria alguém tentando subornar um policial suíço. Nem o mais malandro dos malandros conseguiria fazer algo assim aqui. Muitos brasileiros se dão mal no exterior por isso. Esquecem que não estão no Brasil.

Mas, atrás de todos esses defeitos, temos muitas qualidades que faltam aos gringos. Temos a malícia e a sensualidade que poucos no mundo têm. Temos a guarra e a vontade quando queremos trabalhar pesado e conquistar nosso espaço. Temos a capacidade de sermos verdadeiros amigos, para todas as horas, coisa que pouquíssimos gringos conseguem.

E – para mim – o mais importante de tudo: sabemos rir e fazer piada de nós mesmos, enfrentando situações de risco e imprevistos com o jeitinho que só nós temos. E os gringos nunca terão. A ginga, o rebolado, a pegada, o olhar malicioso. Somos a perfeição da imperfeição. Um dom que nos permitiu espalharmos, como formigas, pelo mundo todo. Ou – como diriam alguns – espalharmos como praga.

Um pouco de malícia não faria mal aos gringos. E, a nós, um pouco mais de consciência e respeito. É pedir muito?

Imagem de Amostra do You Tube

Grande abraço e muita paz!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Não posso falar que sempre fui um cara muito normal, mas parece que por toda a vida eu rodei com um jaleco de psicólogo de boteco, atraindo os tipos mais estranhos possíveis!

Pára-raio de doido, de maluco. Como quando trabalhava em um pub na Austrália e acabei ficando amigão de um mendigo (o único que fiquei sabendo que existia por lá!) que ia cantar Pink Floyd todas as quintas no karaokê. Lembro bem de fechar todos os bares da região e ficar cantando com ele na rua até amanhecer no Corso, em Manly Beach. Era um velhinho simpático, barbudo, gente fina. Maluco.

Outra vez que lembro bem, dessa vez em Minas, um doido – bem mais para psicopata, todo ensagüentado – entra no bar que estava tranqüilamente tomando uma e, com tantas mesas, se senta logo na minha. Lógico. O problema é que logo depois entra um policial logo atrás com a arma na mão e finalmente leva o raio, aliás, o doido embora.

Teve trombadinha na paulista que desistiu de roubar meu primo engravatado que dirigia o carro ao me ver sentado no banco do passageiro. Ele disse: esse cara aí é maluco! Bom, não sei até hoje se era um elogio.

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Não tem jeito. Sou um pára-raio de doido infalível! Passa um no raio de quilômetros e boom! Lá vai eu falar de coisas insensatas para entrar na mente dele e evitar maiores problemas. Até com aqueles doidos impregnantes eu tenho a maior paciência do mundo!

Morei 5 anos na grande São Paulo e nunca sequer vi um assalto. Aliás, senti várias vezes e  “cheiro” do perigo por perto, mas pará-raio tem a missão de diminuir ao máximo o estrago de um raio que cai com toda a sua potência do céu! Era dar um jeitinho e cair fora de mansinho!

Um grande amigo (ele também engravatado) conta que um dia, enquanto comia tranquilamente uns biscoitos esperando um ônibus em Sampa, olha para o lado e um cara pede um biscoito para ele. Na hora ele entrega todo o pacote, na boa, sem exitar. Logo depois o cara agradece e diz para ele baixinho: você é gente fina, não entra no ônibus porque vamos roubar todo mundo que tiver dentro. E ele ficou ali, esperando o próximo ônibus passar. Pequenos gestos evitam grandes problemas.

Caminhavo pelas ruas de pedra de Parati-RJ com meus irmãos e, como sempre, meu irmão (militarzão) brincou comigo ao ver uns hippies sentados no chão: “olha lá teus amigos!” e não é que alguns passos depois encontro os grandes maluco-beleza Mosca e Raulzito, companheiros de algumas cervejas em Minas! Acho que era a primeira vez que ia a Parati, mas foi a última vez que meu irmão brincou assim comigo.

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Muita gente na faculdade me conhecia como “Chinela”, talvez fosse porque em 5 anos estudando lá eu tenha usado tênis raríssimas vezes. Não era a coisa mais higiênica do mundo, na poluição de São Paulo, andar sempre com havainas. O pé preto não enganava. Mas eu não estava nem aí! Me sentia na praia, relax. Talvez seja porque, além de pára-raio de maluco, eu seja um deles também.

Maluco do bem, da paz. Um cara que enxerga o desespero nos olhos de quem menos espera. Um psicólogo diplomado nas ruas. Um cara batalhador que não cai por qualquer besteira. Um cara que enfrentou alguns anos de depressão, ouviu os maiores desaforos de pessoas ignorantes que me atacavam pelas costas. Maluco, mas respeitador.

Meus amigos mais “humildes” lá de Minas me chamam de Negão. Talvez seja porque, apesar da cara de gringo, eu seja o exemplo da mistura brasileira. Tento sempre me manter o mais longe possível dos preconceitos, mas sei que serei sempre vizinho aos malucos que me circundam :D

Bom fim de semana galera!
Abração e muita paz!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Mauricio Matos nasceu em Viseu, Portugal, em 1977. A paixão pela fotografia começou aos 15 anos, quando comprou a sua primeira câmera SLR. A paixão foi crescendo rapidamente e em 1999 ele realizou a sua primeira “viagem fotográfica”. Foi apenas a primeira das tantas que agora fazem parte da vida dele.

Encontrei no portfólio dele por acaso, quando fazia algumas pesquisas por sites de fotógrafos pelo mundo. Gostei tanto do site e das fotos que resolvi escrever propondo uma entrevista. Ele, sempre muito gentil, respondeu rapidamente aceitando o convite e compartilho com vocês:

Rodando Pelo Mundo: 17 anos de fotografia e 10 anos registrando tantos lugares maravilhosos pelo mundo. Existem fotógrafos na tua família ou foi uma coisa que partiu de você, mesmo tão jovem?
Mauricio Matos:
Não existe nenhum passado fotográfico na minha família. Nem eu mesmo lembro muito detalhadamente como tudo começou. Quando era adolescente e viajava com a minha família, era eu o “responsável” por tirar as fotos das férias… foi isto que fez nascer o gosto pela fotografia. Cheguei a um ponto em que o que eu gostava mais nas férias era tirar fotos mesmo… não era a viagem ou a praia.

RPM: A fotografia é uma área que requer um investimento relativamente alto. Você tem algum tipo de patrocínio para os equipamentos e para as viagens? Como foi no início?
MM:
O patrocínio é o meu dinheiro mesmo :) Pra falar verdade, nunca procurei qualquer tipo de apoio para minhas viagens, do mesmo jeito que nunca procurei trabalhar para uma revista específica. Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar. Vendo algumas fotos e publico alguns trabalhos mas o meu objetivo não é ganhar dinheiro ou viver da exclusivamente da fotografia.

"Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto" (San José, Costa Rica)

"Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto" (San José, Costa Rica)

RPM: Hoje em dia existem muitas faculdades e cursos de fotografia. Você tem alguma formação ou é alto de data?
MM:
Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando. Para conseguir boas fotos é preciso fotografar muito, fazer muitas “fotos de bosta” :) Ainda hoje eu faço muita porcaria…todos os fotógrafos fazem, mesmo os mais famosos, só que ninguém vê. Não estou desvalorizando os cursos…uma formação é sempre importante, ainda mais para quem quer procurar um emprego na área…só acho que tudo o que se aprende em cursos também se aprende sozinho, lendo livros, revistas, e hoje em dia está tudo disponível na internet. Quando eu comecei era mais complicado.

"Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando" (Chichén Itzá, México)

"Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando" (Chichén Itzá, México)

RPM: Para quem quiser ser um fotógrafo profissional, você acha que vale investir em cursos?
MM:
Como eu falei em cima, pode ajudar ter um diploma, assim como em outras profissões. No entanto isso só ajuda se você for bom… porque, se no início pode ajudar, mais tarde vai ser a qualidade do seu trabalho que vai fazer você vencer ou não. Hoje em dia, qualquer um se acha fotógrafo, com o fenômeno da fotografia digital e com a facilidade de divulgar os trabalhos na internet. E claro, também depende dos cursos… tem muita gente por aí oferecendo cursos que eles mesmos precisariam tirar :)

RPM: Como é a escolha dos teus destinos? Você pesquisa para saber o que irá fotografar ou é uma coisa que vai fluindo naturalmente?
MM:
Tenho uma lista de destinos que pretendo visitar, uns mais longe ou mais caros, outros mais próximos ou mais baratos. Eu interesso-me em especial por natureza… gosto de grandes espaços, pouca gente… daí quase sempre evitar as grandes cidades… simplesmente não é o meu tipo de destino. A escolha em cada momento tem muito a ver com o tempo e com o dinheiro que tenho disponível. As minhas viagens sempre ficam bastante caras porque gosto de viajar com boas condições. Confesso que não sou muito aventureiro. Gosto de ficar em hotéis com alguma qualidade, sempre alugo carros razoáveis, etc. Existe realmente uma preparação prévia de forma a que tudo corra bem. Não programo antecipadamente todos os locais que vou visitar mas faço um plano geral para cada um dos dias.

"Eu interesso-me em especial por natureza... gosto de grandes espaços, pouca gente..." (Entre a cidade de Vancouver e a Ilha de Vancouver, Canadá)

"Eu interesso-me em especial por natureza... gosto de grandes espaços, pouca gente..." (Entre a cidade de Vancouver e a Ilha de Vancouver, Canadá)

RPM: Você já passou em países como Austrália, Marrocos, Cuba, Tailândia, África do Sul, Nepal, Índia, Costa Rica e muitos outros. Alguns de primeiro mundo e outros mais pobres. Quais te marcaram mais?
MM:
Islândia. Até ao momento foi o país que eu mais gostei de visitar. É uma ilha simplesmente espetacular para quem como eu gosta de natureza. Tem cachoeiras em todos os cantos e de todos os tamanhos. Tem glaciares lindíssimos, tem geysers, tem praias…e muito  importante, não tem gente :) É um país um pouco maior que Portugal e só tem cerca de 300 mil habitantes. É um destino caro e por isso não é muito visitado. Eu consegui estar cerca de duas horas junto a uma das cachoeiras mais bonitas do país e não vi uma única pessoa nesse tempo.

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" [Godafoss, Islândia]

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Godafoss, Islândia)

RPM: O tempo das viagens são planejadas ou você pode escolher teus destinos? Você mantém contato com as pessoas que conheceu nas viagens?
MM:
Como referi no início, eu sempre decido para onde vou e quando vou… nem aceitaria que fosse de outro jeito. Normalmente tento escolher um destino em uma época do ano que seja ideal para visitar e fico os dias que forem necessários para fazer o meu trabalho. Existe sempre uma investigação na qual eu faço um plano de viagem e onde eu tento perceber quanto tempo vou precisar. Normalmente corre bem :) Em relação a manter contato com as pessoas que conheço, eu confesso que minhas viagens não são muito sociáveis. Acontece que meus horários são um pouco diferentes da maioria das pessoas e por isso tem viagens em que quase não contato com outros humanos :) Mas sim, há pessoas com quem mantenho contato ainda hoje e outras com quem falo após as viagens, nem que seja para lhes mostrar as fotos que tirei… sempre ficam uns cartões meus nos países que visito.

"A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade" (Kathmandu, Nepal)

"A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade" (Kathmandu, Nepal)

RPM: Pelo o que pude ver do teu trabalho, você geralmente fotógrafa belas paisagens e pessoas com um estilo local bem característico. Você também faz outros serviços como casamentos e fotos de moda ou tua “praia” é mesmo a de viagens?
MM:
A fotografia de viagem é a área que eu levo mais a sério e a que mais gosto. Também tenho um estúdio em casa onde às vezes fotografo alguns trabalhos de moda, normalmente para garotas que me pedem… mas é algo que faço mais por hobby. Esses trabalhos podem ser vistos em www.mauricio.com.pt

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Cristina)

"Também tenho um estúdio em casa onde às vezes fotografo alguns trabalhos de moda, normalmente para garotas que me pedem... mas é algo que faço mais por hobby" (Cristina)

RPM: Além das fotos, você faz algum tipo de registro por escrito ou em vídeo? Pensa em publicar um livro ou DVDs?
MM:
Olha… engraçado você falar nisso porque esta próxima viagem vai ser a primeira em que vou fazer um trabalho em vídeo também. Já tinha pensado nisso mas só quis avançar agora porque só agora tenho equipamento profissional que me permite fazer o trabalho em alta definição e com qualidade. Veremos como fica… a minha experiência com vídeo ainda é muito pequena, então não me garanto nem um pouco :) Escrever eu já pensei também mas confesso que não tenho o mínimo jeito, então não vou nem tentar.

RPM: Depois de ir para o Canadá e Islândia, você está indo para o Alasca esta semana. Como é a preparação para o frio e não existe risco de danificar o equipamento?
MM:
Não é tão grave como as pessoas normalmente pensam. Eu sempre vou para esses destinos de frio na época em que eles são mais quentes. Pra você ter uma idéia, neste momento as temperaturas máximas nos locais do Alasca que vou visitar estão por volta dos 20 graus e as minimas por volta dos 10… então pode ver que não é frio que eu não tenha em Portugal durante boa parte do ano :) Em relação aos cuidados a ter com o equipamento, o problema é a chuva e a umidade, não o frio. Risco existe sempre… quando estive na Patagônia em 2004 eu quebrei uma câmera… mas por isso é que sempre levo mais do que uma… faz parte do trabalho. Uso câmeras que são seladas e por isso suportam uma chuva sem problemas… mas claro, se chover muito e durante muito tempo, nenhuma câmera resiste. Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto.

RPM: Tua residência ainda é em Portugal? Você viaja sozinho ou existe uma equipe que te acompanha?
MM:
Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre. Eu realmente gosto de Portugal para viver e dificilmente encontraria melhor para o meu gosto. Moro em Viseu, uma cidade relativamente pequena e tranquila. É engraçado que quando mais viajo mais eu me convenço que não posso mesmo reclamar. Todos os países têm coisas boas e coisas ruins… há países com mais dinheiro, etc… mas quando vejo a média, acho que estou muito bem :) Eu quase sempre viajo sozinho… é muito complicado viajar acompanhado e não prejudicar de alguma forma o meu trabalho. Como eu já falei, tenho uns horários diferentes e isso custa a quem viaja para curtir. Eu acordo sempre muito cedo para poder aproveitar as horas com melhor luz e normalmente durmo cedo, para depois poder acordar cedo no dia seguinte :) Posso facilmente fazer 3000 km de carro em uma semana, caminho bastante, como mal, posso estar bastante tempo em um lugar apenas esperando as condições ideais, etc. Não é o tipo de viagem que agrade à grande maioria das pessoas.

"Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre"

"Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre" (Serra da Estrela, Portugal)

RPM: Como foi a viagem pelo Brasil? O que achou do país e do nosso povo?
MM: Eu adoro o Brasil… a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens, embora até ao momento só conheça o nordeste e São Paulo (só de passagem). O número de vezes que já estive lá mostra que eu realmente gosto. É um país com uma variedade paisagística e cultural incrível… se eu tivesse o tempo e o dinheiro necessário, gostaria de começar no Pará e terminar no Rio Grande do Sul. Vou tentar visitar o sul na próxima vez… é tão diferente do nordeste que parece outro país. Infelizmente existe o problema da insegurança nas grandes cidades que acaba afastando muita gente de um destino que tem tudo para ser dos mais importantes em todo o mundo. Eu mesmo quando viajo procuro lugares pequenos como Jericoacoara ou Pipa (engraçado que você recomenda ambos em seu site) para evitar esses problemas. Devo dizer que não tenho qualquer razão para reclamar. Sempre fui muito bem recebido, nunca tive qualquer problema na rua, nunca desapareceu nada do meu equipamento. Só posso falar bem.

"Eu adoro o Brasil... a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens" (Chapada Diamantina, BA, Brasil)

"Eu adoro o Brasil... a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens" (Chapada Diamantina, BA, Brasil)

RPM: Teu site/portfólio é muito bem feito. Você também trabalha com webdesign? Como foi desenvolvido o projeto e a escolha das fotos?
MM:
Eu nunca trabalhei como web designer. Foi o meu interesse pela internet que me levou a aprender o básico do HTML, Flash e outras linguagens de programação relacionadas. Sou utilizador de internet há 14 anos, quando pouca gente usava e um site era algo muito básico… ainda me lembro da minha primeira página no Geocities :) Hoje em dia eu confesso que não tenho muita paciência para o design, então vou guardando coisas interessantes que vejo na internet e depois uso os conhecimentos que tenho para adaptar isso ao que eu pretendo. Tento mudar os meus sites uma vez por ano. A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade. Há fotógrafos que têm milhares de fotos na internet. Eu prefiro ter 20 ou até menos por cada país mas quero que essas tenham uma qualidade aceitável. Então quanto eu volto de uma viagem, começa o processo de escolha… em média eu tiro umas 1000 – 1200 fotos por semana de viagem. Dessas há sempre algumas que se destacam. Faço sempre uma primeira escolha com umas 100 e depois uma segunda escolha de onde vão sair as que eu uso no meu site.

RPM: Para quem – assim como eu – gostou do teu trabalho e quiser acompanhar as novidades, onde pode encontrar as tuas produções?
MM:
Eu tenho um blog em www.mauricioblog.net mas é algo que faço mais para alguns amigos e não tanto para o mundo :) Uso em especial quando estou em viagem, para que eles possam acompanhar as minhas aventuras. Vou também escrevendo sobre algum equipamento que uso, alguns trabalhos que vou fazendo, etc.

RPM: A entrevista acabou ficando grande, mas eu ainda poderia fazer uma infinidade de perguntas. Um dos meus maiores arrependimentos nas minhas viagens foi a de não ter uma câmera boa. Afinal, o que fica das viagens são as fotos e vídeos. Gostaria de parabenizá-lo mais uma vez pelo belíssimo trabalho e agradecer pela disposição! Já sou teu fã de carteirinha e sempre que quiser publicar tuas fotos aqui no rodandopelomundo.com será um grande prazer!
MM:
Eu é que agradeço o seu interesse no meu trabalho. Realmente a escrita não é um dos meus fortes mas espero que tenha sido claro nas minhas respostas e que elas correspondam às expectativas de seus leitores :) Muito obrigado.

Confirma mais sobre o trabalho de Mauricio Matos:
www.mauriciomatos.com / www.mauricioblog.net / www.mauricio.com.pt

Com certeza os leitores vão gostar muito!
O rodandopelomundo.com que te agradece!
Muito obrigado, muita paz e boas “viagens fotográficas”!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

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