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Mauricio Matos nasceu em Viseu, Portugal, em 1977. A paixão pela fotografia começou aos 15 anos, quando comprou a sua primeira câmera SLR. A paixão foi crescendo rapidamente e em 1999 ele realizou a sua primeira “viagem fotográfica”. Foi apenas a primeira das tantas que agora fazem parte da vida dele.

Encontrei no portfólio dele por acaso, quando fazia algumas pesquisas por sites de fotógrafos pelo mundo. Gostei tanto do site e das fotos que resolvi escrever propondo uma entrevista. Ele, sempre muito gentil, respondeu rapidamente aceitando o convite e compartilho com vocês:

Rodando Pelo Mundo: 17 anos de fotografia e 10 anos registrando tantos lugares maravilhosos pelo mundo. Existem fotógrafos na tua família ou foi uma coisa que partiu de você, mesmo tão jovem?
Mauricio Matos:
Não existe nenhum passado fotográfico na minha família. Nem eu mesmo lembro muito detalhadamente como tudo começou. Quando era adolescente e viajava com a minha família, era eu o “responsável” por tirar as fotos das férias… foi isto que fez nascer o gosto pela fotografia. Cheguei a um ponto em que o que eu gostava mais nas férias era tirar fotos mesmo… não era a viagem ou a praia.

RPM: A fotografia é uma área que requer um investimento relativamente alto. Você tem algum tipo de patrocínio para os equipamentos e para as viagens? Como foi no início?
MM:
O patrocínio é o meu dinheiro mesmo :) Pra falar verdade, nunca procurei qualquer tipo de apoio para minhas viagens, do mesmo jeito que nunca procurei trabalhar para uma revista específica. Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar. Vendo algumas fotos e publico alguns trabalhos mas o meu objetivo não é ganhar dinheiro ou viver da exclusivamente da fotografia.

"Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto" (San José, Costa Rica)

"Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto" (San José, Costa Rica)

RPM: Hoje em dia existem muitas faculdades e cursos de fotografia. Você tem alguma formação ou é alto de data?
MM:
Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando. Para conseguir boas fotos é preciso fotografar muito, fazer muitas “fotos de bosta” :) Ainda hoje eu faço muita porcaria…todos os fotógrafos fazem, mesmo os mais famosos, só que ninguém vê. Não estou desvalorizando os cursos…uma formação é sempre importante, ainda mais para quem quer procurar um emprego na área…só acho que tudo o que se aprende em cursos também se aprende sozinho, lendo livros, revistas, e hoje em dia está tudo disponível na internet. Quando eu comecei era mais complicado.

"Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando" (Chichén Itzá, México)

"Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando" (Chichén Itzá, México)

RPM: Para quem quiser ser um fotógrafo profissional, você acha que vale investir em cursos?
MM:
Como eu falei em cima, pode ajudar ter um diploma, assim como em outras profissões. No entanto isso só ajuda se você for bom… porque, se no início pode ajudar, mais tarde vai ser a qualidade do seu trabalho que vai fazer você vencer ou não. Hoje em dia, qualquer um se acha fotógrafo, com o fenômeno da fotografia digital e com a facilidade de divulgar os trabalhos na internet. E claro, também depende dos cursos… tem muita gente por aí oferecendo cursos que eles mesmos precisariam tirar :)

RPM: Como é a escolha dos teus destinos? Você pesquisa para saber o que irá fotografar ou é uma coisa que vai fluindo naturalmente?
MM:
Tenho uma lista de destinos que pretendo visitar, uns mais longe ou mais caros, outros mais próximos ou mais baratos. Eu interesso-me em especial por natureza… gosto de grandes espaços, pouca gente… daí quase sempre evitar as grandes cidades… simplesmente não é o meu tipo de destino. A escolha em cada momento tem muito a ver com o tempo e com o dinheiro que tenho disponível. As minhas viagens sempre ficam bastante caras porque gosto de viajar com boas condições. Confesso que não sou muito aventureiro. Gosto de ficar em hotéis com alguma qualidade, sempre alugo carros razoáveis, etc. Existe realmente uma preparação prévia de forma a que tudo corra bem. Não programo antecipadamente todos os locais que vou visitar mas faço um plano geral para cada um dos dias.

"Eu interesso-me em especial por natureza... gosto de grandes espaços, pouca gente..." (Entre a cidade de Vancouver e a Ilha de Vancouver, Canadá)

"Eu interesso-me em especial por natureza... gosto de grandes espaços, pouca gente..." (Entre a cidade de Vancouver e a Ilha de Vancouver, Canadá)

RPM: Você já passou em países como Austrália, Marrocos, Cuba, Tailândia, África do Sul, Nepal, Índia, Costa Rica e muitos outros. Alguns de primeiro mundo e outros mais pobres. Quais te marcaram mais?
MM:
Islândia. Até ao momento foi o país que eu mais gostei de visitar. É uma ilha simplesmente espetacular para quem como eu gosta de natureza. Tem cachoeiras em todos os cantos e de todos os tamanhos. Tem glaciares lindíssimos, tem geysers, tem praias…e muito  importante, não tem gente :) É um país um pouco maior que Portugal e só tem cerca de 300 mil habitantes. É um destino caro e por isso não é muito visitado. Eu consegui estar cerca de duas horas junto a uma das cachoeiras mais bonitas do país e não vi uma única pessoa nesse tempo.

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" [Godafoss, Islândia]

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Godafoss, Islândia)

RPM: O tempo das viagens são planejadas ou você pode escolher teus destinos? Você mantém contato com as pessoas que conheceu nas viagens?
MM:
Como referi no início, eu sempre decido para onde vou e quando vou… nem aceitaria que fosse de outro jeito. Normalmente tento escolher um destino em uma época do ano que seja ideal para visitar e fico os dias que forem necessários para fazer o meu trabalho. Existe sempre uma investigação na qual eu faço um plano de viagem e onde eu tento perceber quanto tempo vou precisar. Normalmente corre bem :) Em relação a manter contato com as pessoas que conheço, eu confesso que minhas viagens não são muito sociáveis. Acontece que meus horários são um pouco diferentes da maioria das pessoas e por isso tem viagens em que quase não contato com outros humanos :) Mas sim, há pessoas com quem mantenho contato ainda hoje e outras com quem falo após as viagens, nem que seja para lhes mostrar as fotos que tirei… sempre ficam uns cartões meus nos países que visito.

"A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade" (Kathmandu, Nepal)

"A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade" (Kathmandu, Nepal)

RPM: Pelo o que pude ver do teu trabalho, você geralmente fotógrafa belas paisagens e pessoas com um estilo local bem característico. Você também faz outros serviços como casamentos e fotos de moda ou tua “praia” é mesmo a de viagens?
MM:
A fotografia de viagem é a área que eu levo mais a sério e a que mais gosto. Também tenho um estúdio em casa onde às vezes fotografo alguns trabalhos de moda, normalmente para garotas que me pedem… mas é algo que faço mais por hobby. Esses trabalhos podem ser vistos em www.mauricio.com.pt

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Cristina)

"Também tenho um estúdio em casa onde às vezes fotografo alguns trabalhos de moda, normalmente para garotas que me pedem... mas é algo que faço mais por hobby" (Cristina)

RPM: Além das fotos, você faz algum tipo de registro por escrito ou em vídeo? Pensa em publicar um livro ou DVDs?
MM:
Olha… engraçado você falar nisso porque esta próxima viagem vai ser a primeira em que vou fazer um trabalho em vídeo também. Já tinha pensado nisso mas só quis avançar agora porque só agora tenho equipamento profissional que me permite fazer o trabalho em alta definição e com qualidade. Veremos como fica… a minha experiência com vídeo ainda é muito pequena, então não me garanto nem um pouco :) Escrever eu já pensei também mas confesso que não tenho o mínimo jeito, então não vou nem tentar.

RPM: Depois de ir para o Canadá e Islândia, você está indo para o Alasca esta semana. Como é a preparação para o frio e não existe risco de danificar o equipamento?
MM:
Não é tão grave como as pessoas normalmente pensam. Eu sempre vou para esses destinos de frio na época em que eles são mais quentes. Pra você ter uma idéia, neste momento as temperaturas máximas nos locais do Alasca que vou visitar estão por volta dos 20 graus e as minimas por volta dos 10… então pode ver que não é frio que eu não tenha em Portugal durante boa parte do ano :) Em relação aos cuidados a ter com o equipamento, o problema é a chuva e a umidade, não o frio. Risco existe sempre… quando estive na Patagônia em 2004 eu quebrei uma câmera… mas por isso é que sempre levo mais do que uma… faz parte do trabalho. Uso câmeras que são seladas e por isso suportam uma chuva sem problemas… mas claro, se chover muito e durante muito tempo, nenhuma câmera resiste. Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto.

RPM: Tua residência ainda é em Portugal? Você viaja sozinho ou existe uma equipe que te acompanha?
MM:
Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre. Eu realmente gosto de Portugal para viver e dificilmente encontraria melhor para o meu gosto. Moro em Viseu, uma cidade relativamente pequena e tranquila. É engraçado que quando mais viajo mais eu me convenço que não posso mesmo reclamar. Todos os países têm coisas boas e coisas ruins… há países com mais dinheiro, etc… mas quando vejo a média, acho que estou muito bem :) Eu quase sempre viajo sozinho… é muito complicado viajar acompanhado e não prejudicar de alguma forma o meu trabalho. Como eu já falei, tenho uns horários diferentes e isso custa a quem viaja para curtir. Eu acordo sempre muito cedo para poder aproveitar as horas com melhor luz e normalmente durmo cedo, para depois poder acordar cedo no dia seguinte :) Posso facilmente fazer 3000 km de carro em uma semana, caminho bastante, como mal, posso estar bastante tempo em um lugar apenas esperando as condições ideais, etc. Não é o tipo de viagem que agrade à grande maioria das pessoas.

"Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre"

"Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre" (Serra da Estrela, Portugal)

RPM: Como foi a viagem pelo Brasil? O que achou do país e do nosso povo?
MM: Eu adoro o Brasil… a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens, embora até ao momento só conheça o nordeste e São Paulo (só de passagem). O número de vezes que já estive lá mostra que eu realmente gosto. É um país com uma variedade paisagística e cultural incrível… se eu tivesse o tempo e o dinheiro necessário, gostaria de começar no Pará e terminar no Rio Grande do Sul. Vou tentar visitar o sul na próxima vez… é tão diferente do nordeste que parece outro país. Infelizmente existe o problema da insegurança nas grandes cidades que acaba afastando muita gente de um destino que tem tudo para ser dos mais importantes em todo o mundo. Eu mesmo quando viajo procuro lugares pequenos como Jericoacoara ou Pipa (engraçado que você recomenda ambos em seu site) para evitar esses problemas. Devo dizer que não tenho qualquer razão para reclamar. Sempre fui muito bem recebido, nunca tive qualquer problema na rua, nunca desapareceu nada do meu equipamento. Só posso falar bem.

"Eu adoro o Brasil... a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens" (Chapada Diamantina, BA, Brasil)

"Eu adoro o Brasil... a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens" (Chapada Diamantina, BA, Brasil)

RPM: Teu site/portfólio é muito bem feito. Você também trabalha com webdesign? Como foi desenvolvido o projeto e a escolha das fotos?
MM:
Eu nunca trabalhei como web designer. Foi o meu interesse pela internet que me levou a aprender o básico do HTML, Flash e outras linguagens de programação relacionadas. Sou utilizador de internet há 14 anos, quando pouca gente usava e um site era algo muito básico… ainda me lembro da minha primeira página no Geocities :) Hoje em dia eu confesso que não tenho muita paciência para o design, então vou guardando coisas interessantes que vejo na internet e depois uso os conhecimentos que tenho para adaptar isso ao que eu pretendo. Tento mudar os meus sites uma vez por ano. A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade. Há fotógrafos que têm milhares de fotos na internet. Eu prefiro ter 20 ou até menos por cada país mas quero que essas tenham uma qualidade aceitável. Então quanto eu volto de uma viagem, começa o processo de escolha… em média eu tiro umas 1000 – 1200 fotos por semana de viagem. Dessas há sempre algumas que se destacam. Faço sempre uma primeira escolha com umas 100 e depois uma segunda escolha de onde vão sair as que eu uso no meu site.

RPM: Para quem – assim como eu – gostou do teu trabalho e quiser acompanhar as novidades, onde pode encontrar as tuas produções?
MM:
Eu tenho um blog em www.mauricioblog.net mas é algo que faço mais para alguns amigos e não tanto para o mundo :) Uso em especial quando estou em viagem, para que eles possam acompanhar as minhas aventuras. Vou também escrevendo sobre algum equipamento que uso, alguns trabalhos que vou fazendo, etc.

RPM: A entrevista acabou ficando grande, mas eu ainda poderia fazer uma infinidade de perguntas. Um dos meus maiores arrependimentos nas minhas viagens foi a de não ter uma câmera boa. Afinal, o que fica das viagens são as fotos e vídeos. Gostaria de parabenizá-lo mais uma vez pelo belíssimo trabalho e agradecer pela disposição! Já sou teu fã de carteirinha e sempre que quiser publicar tuas fotos aqui no rodandopelomundo.com será um grande prazer!
MM:
Eu é que agradeço o seu interesse no meu trabalho. Realmente a escrita não é um dos meus fortes mas espero que tenha sido claro nas minhas respostas e que elas correspondam às expectativas de seus leitores :) Muito obrigado.

Confirma mais sobre o trabalho de Mauricio Matos:
www.mauriciomatos.com / www.mauricioblog.net / www.mauricio.com.pt

Com certeza os leitores vão gostar muito!
O rodandopelomundo.com que te agradece!
Muito obrigado, muita paz e boas “viagens fotográficas”!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Recebi algumas vezes um e-mail com uma carta escrita por uma suposta holandesa que havia visitado o Brasil. Logo vi que se tratava de uma corrente, ou como dizem, um “hoax” (tipo um trote).

Mas ao ler a carta vi que existiam ali muitas coisas interessantes sobre o nosso país e que realmente não nos valorizamos como deveríamos.

O Rodando Pelo Mundo é um blog sobre variedades, mas acaba sendo em grande parte sobre viagens ao redor do mundo.

Como sou um brasileiro que deixou o país há algum tempo, queria fazer a minha própria carta sobre o nosso Brasil usando como referência tudo que vi até agora:

Uma coisa é absolutamente indiscutível: Brasileiro é o melhor povo do mundo. Falem o que quiserem, argumentem como puderem, mas para mim não existe dúvida alguma de que somos de maneira geral os melhores. Explicações são tantas, e o pior é que estamos cansados de conhecê-las e ignorá-las.

O único desastre natural brasileiro de alto potencial de destruição é a política. E realmente é o que impede de crescermos como poderíamos. Como nos adaptamos a esse mal e cansamos de combatê-lo em vão, conseguimos ainda sim enriquecê-los e ao mesmo tempo sobrevivermos com o pouco que nos resta.

Os políticos querem a ignorância do povo para continuar a controlá-los. Educação falida é muito melhor – para eles. Televisão a preço de banana – ainda melhor. Pobre não tem teto, mas tem TV. Assim pode ver nas novelas uma realidade que nunca será sua. Que nunca será nossa. O desastre natural que nos idiotiza sem percebermos. Que não nos dá escolha, mesmo se travestindo de democracia.

Brasileiro tem fé, é solidário. Ou então tantas igrejas não estariam incrivelmente ricas. Que pessoa em sã consciência doa ao menos 10% do salário todos os meses para uma instituição que vende um lugar no céu ou no paraíso? É a única esperança que resta para grande parte delas. Se o lugar no céu estará realmente disponível e mobiliado quando os fiéis partirem dessa para melhor eu não sei. Mas que a vida dos bispos e afins nessa vida carnal é provavelmente muito melhor do que o paraíso, isso já é bem provável.

Se Cuba vive basicamente do turismo e proíbe a entrada dos americanos, como o Brasil tem índices tão baixos de turismo comparando com o seu absurdo potencial? Altos preços de passagens aéreas, administrações incompetentes e afins ajudam a manchar a imagem do Brasil como possível destino. Mas um país que faz filmes de guerra urbana ou com o nosso lado mais triste, o que esperar em troca? Nunca vi um filme que mostrasse a costa nordestina, muitos destinos paradisíacos que tive o prazer de conhecer.

Outro ponto complicado do turismo é a inocência dos gringos em terras tupiniquins. “Onde deixar o dinheiro? No hotel é perigoso que os funcionários roubem. Mais seguro levar comigo!”, pensam eles – inocentemente. Correntes de ouro, jóias, computadores portáteis. Alvo fácil e certo. Falta malandragem aos gringos ou sobra malandragem aos brasileiros? Difícil saber. Aqui na Suíça quase não existe crime ou roubo, não precisa. Mas quando tem roubo, são nas mansões das pessoas mais ricas. Porque brasileiro rouba para matar a fome. Suíço, já que vai roubar, que seja em alto-estilo.

Boa parte dos americanos são doutrinados como bonecos pela mídia. Não sei se são capazes de distinguir o que é uma guerra real ou um novo filme. Antes intocáveis e indestrutíveis, agora estão tomando noção da ameaça asiática e do peso do Euro. Um povo frio, sem sentimentos. Fico triste pela americanização ser como um vírus que se espalha pelo mundo, e infelizmente em boa parte do Brasil. Cotas de cinemas, TVs e rádios para nos bombardear com a arma mais perigosa que existe, a mensagem subliminar.

Jovens australianos têm dinheiro, são quase todos esportistas, mas não têm malícia alguma com as mulheres. Provavelmente uma grande herança da colonização inglesa. Quase sempre preferem beber tudo que podem e acabar com uma bela briga. Não é a toa que boa parte das australianas já conhece a fama dos brasileiros de “bons de serviço”. Já dei muita risada com tantos depoimentos de amigos e amigas brasileiros sobre o comportamento dos australianos. Quem sabe agora com tantos brasileiros por lá eles não aprendam um pouco.

Os países asiáticos são conhecidos pela triste semelhança com o Brasil na questão das desigualdades sociais. Turismo sexual, corrupção, drogas. Além de ataques terroristas e outros problemas culturais. A Tailândia tem tantos belos visuais quanto casas de massagem e prostituição. Indonésia, paraíso dos surfistas, também reserva belezas indescritíveis. Cingapura me surpreendeu pela tecnologia e estrutura, mas conheci pouco. Um forte comércio gira em torno destes países, o que ajuda no turismo. Mas o Brasil tem também suas belezas naturais, sendo que a Ásia seja mais perto e em conta para os Europeus e Australianos. Ásia também ganha na questão do inglês, que por mais precário que possa ser, é falado por quase todos. Mas o abismo cultural é gigantesco. Diferentes religiões, credos, costumes… brasileiros são abertos e mais adaptados com a cultura americana e européia, que no Brasil quase sempre se sentem em casa. Na ásia muitas vezes eu me sentia em “outro planeta”.

Os suíços soltam tanta fumaça quanto suas chaminés, fumam compulsivamente. Vejo tantos jovens e até crianças fumando sempre, talvez para parecerem mais velhos. Ou porque os pais e irmãos mais velhos fumam. Ou mesmo porque todos os outros amigos fumem. Me dá uma angústia terrível, menos mau que agora é proibido fumar em ambientes fechados. Me lembra São Paulo, onde se fuma mais no Brasil. Podem dizer que jovens brasileiros bebem muito, usam drogas, fumam também. Mas nada justifica que, em um lugar onde tudo funcione quase perfeitamente, não haja nenhuma luta concreta contra esse vício terrível. Talvez porque no fim a grana vinda das empresas de tabaco façam os bancos e governo suíço ainda mais ricos. Pais viciam os filhos e a vida segue – fedendo e respirando com dificuldade.

Ingleses são conhecidos pela antipatia, falta de higiene, pior cozinha do mundo e por serem maus amantes. Mas o que me chamou muita a atenção foram os dentes. Parece que eles simplesmente ignoram este “detalhes técnico”. No Brasil, muita gente gasta o dinheiro que não tem para tentar conservar um sorriso saudável e apresentável. Além de muito higiênicos. Já vi muito brasileiro ser xingado em outros países por ter demorado no banho ou até por tomar um banho por dia ou mais. O costume deles é realmente outro. Não sei em qual freqüência – e nem quero saber.

Irlandeses conseguem magicamente superar os ingleses na questão do álcool. Bebem alucinadamente. Talvez cultivando o senso de inferioridade diante dos visinhos. Um país que esta crescendo, atraindo muita mão de obra brasileira, mas que torna-se potencialmente depressivo pelo clima quase sempre chuvoso e muito frio. Tem também suas belezas, mas nada perto do nosso Brasil. Pelo menos, em confronto aos ingleses, são muito mais gentis e abertos.

Brasileiro faz piada até de si mesmo. Rimos da própria desgraça e nos multiplicamos em tantos para fazermos da vida um lugar melhor. Não fazemos guerra, não fazemos inimigos. Vivemos esperando por dias melhores. E eles virão.

Espero que um dia, para fazer a vida, brasileiro não tenha que ir para outro país. Tenho saudade dos verões intermináveis, de colocar uma bermuda e um chinelo e estar pronto para sair. De fazer um churrasco em casa reunindo os amigos. De ver neve só pela TV.

Temos tudo! E o pior de tudo é que sabemos.

Abraço e muita paz!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Enquanto Marcelo D2 roda o mundo em busca da batida perfeita, eu rodo atrás da cerveja perfeita. Da batida também, mas de limão, maracujá, morango ou o que quer que venha!

Tenho um currículo de respeito quando o assunto é a loira gelada e horas de banco de boteco.

E, aproveitando o comentário do Thiago Victor, vou falar um pouco dessa experiência estressante de sentar em algum bar pelo mundo e apreciar uma cervejinha.

Nunca fui muito de marca, mais de preço mesmo. Porque geralmente na segunda tudo que vier é lucro!

E a regra vale para o exterior, onde a cerveja custa muito mais que no Brasil.

Saudosos tempos de faculdade quando comprava um monte de fichas de cerveja por 1 real cada. Era perfeito!

Não é que agora aumentou tanto. Ainda sim dá para comprar uns engradados com os amigos e fazer a festa até cair!

Eu completei 21 anos nos EUA, idade que – por lei – jovens podem começar a beber lá. Para variar, ganhei uma caixa de cerveja de presente! Acredito que tenha sido o presente que mais ganhei na vida e nunca fiz cara feia…

Mas cerveja em dólar desce mais amarga. Ao menos as cervejas australianas e européias são mais fortes que as brasileiras, requerendo menos goladas para chegar a um nível legal.

Quando estava no Brasil fazia sempre churrascos em casa, eram dezenas de caixas. Depois veio o “CarnaMichelFolia”, festa que eu produzia para umas 300 pessoas, com umas 60 caixas de cerveja liberadas.

Na Austrália não lembro de ter visto mais de três caixas juntas. Com a cerveja custando em média 3 dólares nas lojas e 7 dólares na noite ficava difícil.

Mas não pense que vai chegar na Austrália e tomar um porre na praia, é proibido! Não pode consumir álcool na praia, nas ruas, em espaços abertos. Polícia chega, dá esporro, até multa.

Austrália definitivamente não é o lugar ideal para beber. Só vende em lojas especializadas chamadas de bottleshops.

É normal brasileiro chegar morrendo de sede por lá (como eu) e encontrar só sucos e refrigerantes em lojas de conveniência e supermercados.

Para beber em bares, deve geralmente andar aos PUBs. Todos ambientes fechados.

Restaurantes só com licença para álcool. Para trabalhar em bar tive que fazer um curso de responsabilidade, aprendendo a seguir as leis de lá.

Você está tomando uma e se o pessoal do bar achar que você passou dos limites não te vende mais.

E a qualquer momento um segurança pode te dar um tapinha nas costas e te botar para fora do PUB. Sem perdão.

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Mas voltando ao assunto do post, cervejinha sempre cai bem.

Estamos acostumados no Brasil a reclamar quando a cerveja não está quase congelando… quantas vezes pedi para trocar, mesmo estando gelada.

Mas gringo bebe quente e acabei aprendendo! Eles nunca colocam no freezer, sempre geladeira.

Até porque no inverno nem precisa, mas no verão tomam até em temperatura ambiente e acabei aprendendo também.

Para falar de sabor, na Austrália tomava sempre Tooheys New, muito boa e uma das mais ‘baratas’.

Depois do trabalho no PUB fica entre a Coopers (verde) e a suave Bluetongue porque bebia de graça.

Na Austrália também bebem muito a irlandesa escura Guinness, que domina a Irlanda toda. Além de ser a mais barata na terra do U2, custando em média 5 dólares.

Cervejas asiáticas me lembraram muito as brasileiras, talvez por serem também países quentes. A cerveja é sempre mais suave e gelada.

Em Cuba, além dos charutos, mojitos e piñas coladas, para refrescar do calor era sempre uma boa pedida uma Cristal.

O site de viajantes backpackers (em inglês) thebackpacker.net tem uma lista grande de cervejas pelo mundo e a votação para cada uma delas! No Brasil, Original e Bohemia lideram a lista (merecidamente).

Algumas cervejas que destaco nas minhas andanças pelo mundo:

.Erdinger (loira alemã) – bastante conhecida (e cara) também no Brasil, é uma das tops do mundo!
.Corona (mexicana) – com uma fatia de limão dentro, sem dúvida uma das minhas favoritas!
.Stella Artois (belga) – irada como o site!
.Bucanero (cubana) – sem dúvida a melhor cerveja da terra do Che Guevara
.Amstel (grécia) – para mim deixa a mais vendida por lá ‘mythos’ no chinelo
.Singha (tailandesa) – barata e boa como o país
.Bali Hai (indonésia) – perfeita para tomar curtindo as ondas

Aqui na Suíça não são tantas as opções e quase todas custam o mesmo. Cervejas americanas como Heineken e Miller têm bastante saída.

De produção suíça compro quase sempre Eichhof, Löwenbräu, Cardinal e a Feldschlösschen.

Quase todas com nomes estranhos e sabores parecidos. Mas nem de perto compara com a qualidade dos chocolates suíços. Mas nosso assunto aqui é cerveja, então SAÚDE!

Valeu Thiago Victor pela idéia e fiquem a vontade para colaborar com a cultura boêmia do nosso blog Rodando pelo Mundo!

PAZ! Michel P. Zylberberg

Já passei por alguns países, conheci muitas culturas e convivi com uma infinidade de pessoas dos mais variados tipos possíveis.

Hoje, mesmo morando na Suíça (sempre tida como primeiríssimo mundo), com um orgulho extremo posso dizer que Brasil é o melhor país e nós, brasileiros, o melhor povo.

Provei de todas as formas olhar com o mínimo de preconceito possível para tentar encontrar algum outro país ou povo que chegasse perto do nosso, mas é impossível.

Talvez essa ‘zona’ estabelecida na nossa cultura faça com que sejamos diversos. Mas, ao mesmo tempo, temos um nível incomparável de respeito e solidariedade.

As grandes cidades estão em guerra. Mas são raras no mundo que conseguem manter a ordem com tamanha desigualdade social.

O Brasil é sinônimo de carnaval, de festa e alegria! Futebol arte… antes me indignava com estas imagens tão fortes do Brasil no exterior, mas é muito melhor do que a que estão ‘vendendo’ agora, de crimes e favelas.

Se Cuba vive basicamente do turismo, por que o Brasil – que tem um potencial incrível e recursos naturais incomparavelmente maiores – não consegue fazer o mesmo?

O que mais atrai os estrangeiros ao Brasil – infelizmente – é o turismo sexual, exploração de menores e jovens tristemente tratadas como mercadoria. Como mudar? Complicado.

Mas brasileiro é alegre por natureza! Pode passar necessidade que geralmente o astral é sempre alto.

Já aqui na Europa a maioria do povo é depressivo e egoísta. Mesmo com muito dinheiro, tenho certeza que morrem desiludidos e frustrados.

Costumo brincar que todos os velhos, depois de aposentarem, deveriam ir para o Brasil viver um pouco da vida que nunca tiveram. Nem filhos muitas vezes eles não têm para não terem despesas. Compram carrões, mansões e a solidão vem de brinde.

Podemos ter muitos problemas, mas esse talento natural para a felicidade e amizade ninguém nunca vai nos tirar. É verão e festa o ano todo!

Por muitos fatores acabei vindo morar fora. Mas meu coração é brasileiro, minha alma brasileira e meu orgulho é sempre maior!

Para os nossos políticos deixo uns trechos de “Apesar de você” do nosso grandíssimo Chico Buarque:

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.

Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão

Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.

Amanhã há de ser outro dia…

Boa semana galera! PAZ!!!

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