categorias: estados unidos


A onda perfeita

Eu amo o mar e, apesar de não ter tido tantas chances aprender e praticar, amo também tudo que gira em torno do mundo do surf.

Estou aprendendo também a gostar da arte de fotografar. Até fiz recentemente uma entrevista muito legal com o fotógrafo Mauricio Matos.

Mudando um pouco de assunto, dia 7 de dezembro de 2007 recebi no blog o primeiro comentário  de um maluco chamado Thiago Victor, de BH:

“Olá Michel, meu nome e Thiago e moro em BH, minas gerais. Quero aprender inglês para me torna atualizado no mercado de trabalho e quem sabe fazer como voçê, rodar pelo mundo. Gostaria de saber algumas dicas, como a melhor escola, o tempo de duração que devo fazer,etc. Parabéns pelo seu blog e sorte no seu novo emprego. Falouuu….”

Foi o primeiro de tantos, porque agora ele já praticamente faz parte do blog! Sempre com comentários engraçados e originais, me faz sentir de ter começado despretensiosamente o trabalho aqui no RPM. Lembro que no início ficava felizão de receber comentários, que eram raros. Não é que tenho o blog mais acessado do mundo agora, mas fico feliz só de ter essa galera fiel que sempre que pode, dá uma passada por aqui.

E foi o Thiagão que, através de um e-mail, me fez conhecer o trabalho do fotógrafo e ex-surfista americano Clark Little.

clark_little

O e-mail resume bem como começou a sua carreira: Clark Little, de 39 anos, começou a fazer as imagens depois que sua mulher manifestou o desejo de ter uma foto para decorar a casa do casal, no Havaí. Há dois anos, ele vive do dinheiro que ganha com a venda das fotos.

clark_little_04“O mar é minha segunda casa e eu amo o que faço”, disse Little. “Não existe para mim aquela sensação de encarar o trabalho como uma obrigação.”
clark_little_03

O fotógrafo conta que para obter as melhores imagens, ele utiliza uma câmera capaz de obter até dez fotos por segundo. As ondas que ele encara variam entre 90 cm e 4,5 m e muitas vezes, ele chegou a ser arremessado a até 10 m de distância de sua localização original.

clark_little_02
“Sempre existe um risco para mim, por conta da força e tamanho das ondas. Mas minha experiência como surfista me deixa à vontade para encarar as ondas sem medo”, afirmou.

clark_little_01

É incrível que, por mais que pareça que tudo já foi inventado, sempre tem alguém que consegue fazer algo diverso e incrivelmente belo.

Deixo mais algumas imagens abaixo e também o link do site dele http://www.clarklittlephotography.com/ – vale a visita!

clark_little_07clark_little_06clark_little_05

Valeu mesmo Thiagão pela dicas e pela presença constante há tanto tempo aqui no blog! A casa é sua também, se quiser pode abrir a geladeira e pegar uma bem gelada pra gente!

Claro que existem tantas outras pessoas especiais, mas acho que não preciso ficar citando todos aqui. Mas podem ter certeza que considero demais vocês e ainda fico muito feliz com todas as mensagens que recebo!

Abração e muita paz sempre galera!

Valeu,
Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Mauricio Matos nasceu em Viseu, Portugal, em 1977. A paixão pela fotografia começou aos 15 anos, quando comprou a sua primeira câmera SLR. A paixão foi crescendo rapidamente e em 1999 ele realizou a sua primeira “viagem fotográfica”. Foi apenas a primeira das tantas que agora fazem parte da vida dele.

Encontrei no portfólio dele por acaso, quando fazia algumas pesquisas por sites de fotógrafos pelo mundo. Gostei tanto do site e das fotos que resolvi escrever propondo uma entrevista. Ele, sempre muito gentil, respondeu rapidamente aceitando o convite e compartilho com vocês:

Rodando Pelo Mundo: 17 anos de fotografia e 10 anos registrando tantos lugares maravilhosos pelo mundo. Existem fotógrafos na tua família ou foi uma coisa que partiu de você, mesmo tão jovem?
Mauricio Matos:
Não existe nenhum passado fotográfico na minha família. Nem eu mesmo lembro muito detalhadamente como tudo começou. Quando era adolescente e viajava com a minha família, era eu o “responsável” por tirar as fotos das férias… foi isto que fez nascer o gosto pela fotografia. Cheguei a um ponto em que o que eu gostava mais nas férias era tirar fotos mesmo… não era a viagem ou a praia.

RPM: A fotografia é uma área que requer um investimento relativamente alto. Você tem algum tipo de patrocínio para os equipamentos e para as viagens? Como foi no início?
MM:
O patrocínio é o meu dinheiro mesmo :) Pra falar verdade, nunca procurei qualquer tipo de apoio para minhas viagens, do mesmo jeito que nunca procurei trabalhar para uma revista específica. Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar. Vendo algumas fotos e publico alguns trabalhos mas o meu objetivo não é ganhar dinheiro ou viver da exclusivamente da fotografia.

"Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto" (San José, Costa Rica)

"Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto" (San José, Costa Rica)

RPM: Hoje em dia existem muitas faculdades e cursos de fotografia. Você tem alguma formação ou é alto de data?
MM:
Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando. Para conseguir boas fotos é preciso fotografar muito, fazer muitas “fotos de bosta” :) Ainda hoje eu faço muita porcaria…todos os fotógrafos fazem, mesmo os mais famosos, só que ninguém vê. Não estou desvalorizando os cursos…uma formação é sempre importante, ainda mais para quem quer procurar um emprego na área…só acho que tudo o que se aprende em cursos também se aprende sozinho, lendo livros, revistas, e hoje em dia está tudo disponível na internet. Quando eu comecei era mais complicado.

"Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando" (Chichén Itzá, México)

"Nunca fiz nenhum curso de fotografia e muito menos faculdade. A minha opinião é que a fotografia se aprende fotografando" (Chichén Itzá, México)

RPM: Para quem quiser ser um fotógrafo profissional, você acha que vale investir em cursos?
MM:
Como eu falei em cima, pode ajudar ter um diploma, assim como em outras profissões. No entanto isso só ajuda se você for bom… porque, se no início pode ajudar, mais tarde vai ser a qualidade do seu trabalho que vai fazer você vencer ou não. Hoje em dia, qualquer um se acha fotógrafo, com o fenômeno da fotografia digital e com a facilidade de divulgar os trabalhos na internet. E claro, também depende dos cursos… tem muita gente por aí oferecendo cursos que eles mesmos precisariam tirar :)

RPM: Como é a escolha dos teus destinos? Você pesquisa para saber o que irá fotografar ou é uma coisa que vai fluindo naturalmente?
MM:
Tenho uma lista de destinos que pretendo visitar, uns mais longe ou mais caros, outros mais próximos ou mais baratos. Eu interesso-me em especial por natureza… gosto de grandes espaços, pouca gente… daí quase sempre evitar as grandes cidades… simplesmente não é o meu tipo de destino. A escolha em cada momento tem muito a ver com o tempo e com o dinheiro que tenho disponível. As minhas viagens sempre ficam bastante caras porque gosto de viajar com boas condições. Confesso que não sou muito aventureiro. Gosto de ficar em hotéis com alguma qualidade, sempre alugo carros razoáveis, etc. Existe realmente uma preparação prévia de forma a que tudo corra bem. Não programo antecipadamente todos os locais que vou visitar mas faço um plano geral para cada um dos dias.

"Eu interesso-me em especial por natureza... gosto de grandes espaços, pouca gente..." (Entre a cidade de Vancouver e a Ilha de Vancouver, Canadá)

"Eu interesso-me em especial por natureza... gosto de grandes espaços, pouca gente..." (Entre a cidade de Vancouver e a Ilha de Vancouver, Canadá)

RPM: Você já passou em países como Austrália, Marrocos, Cuba, Tailândia, África do Sul, Nepal, Índia, Costa Rica e muitos outros. Alguns de primeiro mundo e outros mais pobres. Quais te marcaram mais?
MM:
Islândia. Até ao momento foi o país que eu mais gostei de visitar. É uma ilha simplesmente espetacular para quem como eu gosta de natureza. Tem cachoeiras em todos os cantos e de todos os tamanhos. Tem glaciares lindíssimos, tem geysers, tem praias…e muito  importante, não tem gente :) É um país um pouco maior que Portugal e só tem cerca de 300 mil habitantes. É um destino caro e por isso não é muito visitado. Eu consegui estar cerca de duas horas junto a uma das cachoeiras mais bonitas do país e não vi uma única pessoa nesse tempo.

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" [Godafoss, Islândia]

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Godafoss, Islândia)

RPM: O tempo das viagens são planejadas ou você pode escolher teus destinos? Você mantém contato com as pessoas que conheceu nas viagens?
MM:
Como referi no início, eu sempre decido para onde vou e quando vou… nem aceitaria que fosse de outro jeito. Normalmente tento escolher um destino em uma época do ano que seja ideal para visitar e fico os dias que forem necessários para fazer o meu trabalho. Existe sempre uma investigação na qual eu faço um plano de viagem e onde eu tento perceber quanto tempo vou precisar. Normalmente corre bem :) Em relação a manter contato com as pessoas que conheço, eu confesso que minhas viagens não são muito sociáveis. Acontece que meus horários são um pouco diferentes da maioria das pessoas e por isso tem viagens em que quase não contato com outros humanos :) Mas sim, há pessoas com quem mantenho contato ainda hoje e outras com quem falo após as viagens, nem que seja para lhes mostrar as fotos que tirei… sempre ficam uns cartões meus nos países que visito.

"A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade" (Kathmandu, Nepal)

"A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade" (Kathmandu, Nepal)

RPM: Pelo o que pude ver do teu trabalho, você geralmente fotógrafa belas paisagens e pessoas com um estilo local bem característico. Você também faz outros serviços como casamentos e fotos de moda ou tua “praia” é mesmo a de viagens?
MM:
A fotografia de viagem é a área que eu levo mais a sério e a que mais gosto. Também tenho um estúdio em casa onde às vezes fotografo alguns trabalhos de moda, normalmente para garotas que me pedem… mas é algo que faço mais por hobby. Esses trabalhos podem ser vistos em www.mauricio.com.pt

"Uma coisa que eu não abdico nas minhas viagens é a minha independência. Quero viajar quando eu tiver vontade e para os destinos que eu quero visitar" (Cristina)

"Também tenho um estúdio em casa onde às vezes fotografo alguns trabalhos de moda, normalmente para garotas que me pedem... mas é algo que faço mais por hobby" (Cristina)

RPM: Além das fotos, você faz algum tipo de registro por escrito ou em vídeo? Pensa em publicar um livro ou DVDs?
MM:
Olha… engraçado você falar nisso porque esta próxima viagem vai ser a primeira em que vou fazer um trabalho em vídeo também. Já tinha pensado nisso mas só quis avançar agora porque só agora tenho equipamento profissional que me permite fazer o trabalho em alta definição e com qualidade. Veremos como fica… a minha experiência com vídeo ainda é muito pequena, então não me garanto nem um pouco :) Escrever eu já pensei também mas confesso que não tenho o mínimo jeito, então não vou nem tentar.

RPM: Depois de ir para o Canadá e Islândia, você está indo para o Alasca esta semana. Como é a preparação para o frio e não existe risco de danificar o equipamento?
MM:
Não é tão grave como as pessoas normalmente pensam. Eu sempre vou para esses destinos de frio na época em que eles são mais quentes. Pra você ter uma idéia, neste momento as temperaturas máximas nos locais do Alasca que vou visitar estão por volta dos 20 graus e as minimas por volta dos 10… então pode ver que não é frio que eu não tenha em Portugal durante boa parte do ano :) Em relação aos cuidados a ter com o equipamento, o problema é a chuva e a umidade, não o frio. Risco existe sempre… quando estive na Patagônia em 2004 eu quebrei uma câmera… mas por isso é que sempre levo mais do que uma… faz parte do trabalho. Uso câmeras que são seladas e por isso suportam uma chuva sem problemas… mas claro, se chover muito e durante muito tempo, nenhuma câmera resiste. Sempre tenho o máximo cuidado e se não estiverem as condições para fotografar, não fotografo e pronto.

RPM: Tua residência ainda é em Portugal? Você viaja sozinho ou existe uma equipe que te acompanha?
MM:
Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre. Eu realmente gosto de Portugal para viver e dificilmente encontraria melhor para o meu gosto. Moro em Viseu, uma cidade relativamente pequena e tranquila. É engraçado que quando mais viajo mais eu me convenço que não posso mesmo reclamar. Todos os países têm coisas boas e coisas ruins… há países com mais dinheiro, etc… mas quando vejo a média, acho que estou muito bem :) Eu quase sempre viajo sozinho… é muito complicado viajar acompanhado e não prejudicar de alguma forma o meu trabalho. Como eu já falei, tenho uns horários diferentes e isso custa a quem viaja para curtir. Eu acordo sempre muito cedo para poder aproveitar as horas com melhor luz e normalmente durmo cedo, para depois poder acordar cedo no dia seguinte :) Posso facilmente fazer 3000 km de carro em uma semana, caminho bastante, como mal, posso estar bastante tempo em um lugar apenas esperando as condições ideais, etc. Não é o tipo de viagem que agrade à grande maioria das pessoas.

"Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre"

"Sim, ainda moro em Portugal e vou morar sempre" (Serra da Estrela, Portugal)

RPM: Como foi a viagem pelo Brasil? O que achou do país e do nosso povo?
MM: Eu adoro o Brasil… a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens, embora até ao momento só conheça o nordeste e São Paulo (só de passagem). O número de vezes que já estive lá mostra que eu realmente gosto. É um país com uma variedade paisagística e cultural incrível… se eu tivesse o tempo e o dinheiro necessário, gostaria de começar no Pará e terminar no Rio Grande do Sul. Vou tentar visitar o sul na próxima vez… é tão diferente do nordeste que parece outro país. Infelizmente existe o problema da insegurança nas grandes cidades que acaba afastando muita gente de um destino que tem tudo para ser dos mais importantes em todo o mundo. Eu mesmo quando viajo procuro lugares pequenos como Jericoacoara ou Pipa (engraçado que você recomenda ambos em seu site) para evitar esses problemas. Devo dizer que não tenho qualquer razão para reclamar. Sempre fui muito bem recebido, nunca tive qualquer problema na rua, nunca desapareceu nada do meu equipamento. Só posso falar bem.

"Eu adoro o Brasil... a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens" (Chapada Diamantina, BA, Brasil)

"Eu adoro o Brasil... a viagem que você fala foi na realidade 5 viagens" (Chapada Diamantina, BA, Brasil)

RPM: Teu site/portfólio é muito bem feito. Você também trabalha com webdesign? Como foi desenvolvido o projeto e a escolha das fotos?
MM:
Eu nunca trabalhei como web designer. Foi o meu interesse pela internet que me levou a aprender o básico do HTML, Flash e outras linguagens de programação relacionadas. Sou utilizador de internet há 14 anos, quando pouca gente usava e um site era algo muito básico… ainda me lembro da minha primeira página no Geocities :) Hoje em dia eu confesso que não tenho muita paciência para o design, então vou guardando coisas interessantes que vejo na internet e depois uso os conhecimentos que tenho para adaptar isso ao que eu pretendo. Tento mudar os meus sites uma vez por ano. A escolha das fotos é algo muito pessoal. Eu sempre preferi a qualidade à quantidade. Há fotógrafos que têm milhares de fotos na internet. Eu prefiro ter 20 ou até menos por cada país mas quero que essas tenham uma qualidade aceitável. Então quanto eu volto de uma viagem, começa o processo de escolha… em média eu tiro umas 1000 – 1200 fotos por semana de viagem. Dessas há sempre algumas que se destacam. Faço sempre uma primeira escolha com umas 100 e depois uma segunda escolha de onde vão sair as que eu uso no meu site.

RPM: Para quem – assim como eu – gostou do teu trabalho e quiser acompanhar as novidades, onde pode encontrar as tuas produções?
MM:
Eu tenho um blog em www.mauricioblog.net mas é algo que faço mais para alguns amigos e não tanto para o mundo :) Uso em especial quando estou em viagem, para que eles possam acompanhar as minhas aventuras. Vou também escrevendo sobre algum equipamento que uso, alguns trabalhos que vou fazendo, etc.

RPM: A entrevista acabou ficando grande, mas eu ainda poderia fazer uma infinidade de perguntas. Um dos meus maiores arrependimentos nas minhas viagens foi a de não ter uma câmera boa. Afinal, o que fica das viagens são as fotos e vídeos. Gostaria de parabenizá-lo mais uma vez pelo belíssimo trabalho e agradecer pela disposição! Já sou teu fã de carteirinha e sempre que quiser publicar tuas fotos aqui no rodandopelomundo.com será um grande prazer!
MM:
Eu é que agradeço o seu interesse no meu trabalho. Realmente a escrita não é um dos meus fortes mas espero que tenha sido claro nas minhas respostas e que elas correspondam às expectativas de seus leitores :) Muito obrigado.

Confirma mais sobre o trabalho de Mauricio Matos:
www.mauriciomatos.com / www.mauricioblog.net / www.mauricio.com.pt

Com certeza os leitores vão gostar muito!
O rodandopelomundo.com que te agradece!
Muito obrigado, muita paz e boas “viagens fotográficas”!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

É engraçado como ninguém, em todos os países que passei, imaginava que eu era brasileiro! Aliás, todos se assustavam e exclamavam: “Mas brasileiro loiro de olhos verdes? Nunca vi!”

E lá vou eu explicar que sou neto de polonês, que a imigração européia para o Brasil foi grandíssima e blá blá blá… mas até hoje me sinto um pouco mal de saber que a imagem dos brasileiros é muito estereotipada no exterior!

Claro que a mesma coisa acontece com a gente. Antes de vim para a Suíça, imaginava todas as garotas daqui bonitas, altas e loiras de olhos azuis. São bonitas, mas estão bem longe de serem loironas. São assim na Alemanha e Suécia, mais para o norte europeu.

É normal imaginar todos os americanos antipáticos e obesos. Eu raramente sei diferenciar um japonês de um coreano ou até mesmo tailandês! Os asiáticos são muito parecidos, mas se sentem mal quando você pergunta se são de outro país.

rodandopelomundo_caradegringo

Um ponto positivo é que parecendo gringo (meu apelido no Brasil sempre foi “alemão”) nunca tive problemas com preconceito. Pelo contrário! Me tratam bem, até eu abrir a boca e mandar o italiano ou inglês aportuguesado (existe esta palavra?)!

Sempre, quando menos espero, alguém vai falando alemão comigo. Eu não entendo nada de alemão, aí bate o desespero! Falar para um alemão que sou brasileiro é pedir para ouvir a mesma frase de sempre… “mas brasileiro…???”

Brasileiro loiro, branquelo e de olhos claros! E com muitíssimo orgulho! Porque Brasil é uma mistura incrível de cores, raças e culturas! Uma salada quase sempre saudável e que desde redonda, ao contrário das saladas sem cor e sem sal de tantos países.

Hoje em dia tenho grande amigos de vários países, mas nenhum consegue ser amigo como os brasileiros. A gente respeita, somos malandros. E quando somos malandros do bem, não existe lugar no mundo que não possamos comandar!

Cara de gringo sim, mas coração e alma de brasileiro!

Estou preparando várias novidades para o blog, além de estar mudando o “visual” devagarzinho. Espero ver vocês sempre por aqui! Participe!

Grande abraço e muita paz!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Visto que muita gente me escreveu perguntando como andava o mercado de trabalho no exterior depois da crise – especialmente na Irlanda e na Austrália – resolvi recorrer a ajuda do meu grande amigo Bruno Passarelli. Ele é um dos responsáveis pela StudyNet, empresa especializada em intercâmbios, e colaborou com o blog. Segue o texto, vale a pena conferir:

A crise é uma exelente oportunidade para o intercambio, além da maioria das moedas estrangeiras estarem em queda, inclusive o Dolar Americano, as passagem aéreas estão ficando cada vez mais baratas.

Para quem busca destinos onde se pode estudar e trabalhar legalmente, como : Irlanda, Inglaterra, Australia e Nova Zelândia, os intercambistas tem que ter consciência de que os empregos que encontrarão serão os chamados empregos informais, onde os nativos sejam eles Irlandeses, Ingleses, Australianos ou Neolandezes não querem. Apesar do numero de desempregados nesses paises ter aumentado, o feedback que temos das escolas que trabalhamos e dos alunos que mandamos é que apesar dessa crise, muitos ainda estão fazendo as suas 20 horas semanais (que é o numero de horas máximas que se pode trabalhar legalmente, caso tenha um visto de estudante).

Na Irlanda por exemplo, o número de Irlandeses desempregados é bem menor que em outros países da Comunidade Européia e mesmo na Inglaterra, e mesmo tendo vagas nos empregos informais, muitos deles não querem trabalhar neste tipo de emprego, e não querem empregos part-time de apenas 20 horas, pois possuem famílias para criar e preferem os empregos full-time, 35 horas ou mais por semana. Alem do que, a partir do momento que estão desempregados, os mesmos possuem ajuda do governo por um bom periodo de tempo, alem de vale alimentação e assistência médica, então os mesmos acabam optando por não trabalhar.

Uma outra opção para aqueles que não querem passar por qualquer tipo de problema seria optar por destinos alternativos ou cidades alternativas. No caso da Irlanda para aqueles que ficam com um pé atras de ir para Dublin, onde o número de brasileiros é muito grande, existem outros possiveis destinos como Limerick, Galway e até mesmo Cork onde o número de brasileiros é muito menor que em Dublin, é as ofertas de trabalho podem ser bem melhores.

Um outro importante fator, seria a época do ano em que o intercambista embarca, pois podemos dizer que as vagas de emprego são sem dúvida nenhuma maiores durante o periodo de verão, onde o número de turistas aumenta e consecutivamente aumentam as vendas, e a procura nos mais diversos setores.

Em função da crise, muitos intercambistas acabam optando por rotas alternativas até então pouco mencionadas e exploradas como é o caso de Malta, Africa do Sul e até mesmo os países da América do Sul, como Chile a Argentina, países que estão se tornando um super destino, e o melhor de tudo isso é que os valores são bem mais acessiveis que os destinos tradicionais.

Apesar do aumento das cotações do Dolar Americano, os Dolares Canadense, Australiano e Neozelandês se mantiveram quase que estáveis o que ainda torna esses destinos acessiveis.

Agora uma exelente opção para os universitários que querem aprender ingles, viajar, conhecer gente do mundo interessante e ainda ganhar um dinheiro é o programa de Work & Travel Eua, que é um programa de trabalho nos EUA, no periodo de férias da faculdade. E apesar da crise, teremos diversas vagas para trabalho no EUA, como em parques nacionais, estações de ski, resorts, restaurantes e outros.

Bruno Passarelli
Marketing Coordinator of Studynet

Leia também:
.Trabalhando pesado no exterior! (parte 1)
.Trabalhando pesado no exterior! (parte 2)
.Trabalhando pesado no exterior! (parte 3)
.
Quanto posso ganhar trabalhando pelo mundo?
.Qualquer tipo de trabalho merece respeito
.13 destinos para intercâmbio pelo mundo
.Austrália x Irlanda
.O país que recomendo…
.Intercâmbio na Irlanda
.Irlanda

Valeu Brunão pela força!

Grande abraço e muita paz para todos! Bom fim de semana!!!

Michel P. Zylberberg
www.rodandopelomundo.com

Related Posts with Thumbnails
powered by WordPress e Motion de 85ideas. Edição do layout por Michel P. Zylberberg